A Violência nos Campos Desportivos

O que nos espanta não é a violência, é sim a ignorância das suas causas, consciente ou inconsciente, e a inacção de alguns responsáveis. O que a violência pode significar para além de ser uma forma de protesto é que, efectivamente, a ordem estabelecida está sistematicamente a ser posta em cheque, mercê de causas que têm a sua origem em decisões tomadas no passado.

A violência nos campos desportivos não se pode eliminar com uma simples vedação de "arame farpado". Longe disso! O que é necessário é eliminar as causas que podem originar, e originam, a violência como expressão de indignação. A arbitrariedade, prepotência e o desrespeito pelas normas estabelecidas levam à indignação e podem conduzir, na verdade, à violência. Reprimir a violência de forma insensata pode conduzir a uma violência ainda maior, ou seja, de grau superior. Daí o sermos apologistas de que a autoridade só se pode fazer respeitar quando ela própria sabe respeitar e não invoca a sua força como meio de coacção.

Confundir espectáculo desportivo com Educação Física pode levar, de facto, no futuro, a crises muito graves e tanto mais quanto mais for a confusão. É óbvio. Mas ela existe e, a julgar pelos acontecimentos passados e presentes, podemos afirmar que persistirá no futuro!

O que nos espanta não é a violência, é sim a ignorância das suas causas, consciente ou inconsciente, e a inacção de alguns responsáveis. O que a violência pode significar para além de ser uma forma de protesto é que, efectivamente, a ordem estabelecida está sistematicamente a ser posta em cheque, mercê de causas que têm a sua origem em decisões tomadas no passado. Quer dizer, as pessoas estão hoje a sofrer os efeitos de causas que tiveram a sua origem numa conjuntura bem diferente da actual. Pode, pois, dizer-se que a crise que se verifica é de adaptação de processos à actual conjunctura; entendendo-se aqui por conjuctura os problemas políticos actuais a que o Governo, ou o poder, tem de dar solução satisfatória. Desde a violência poética, que a nada conduz, até à violência organizada e sistematizada, que tem por objectivo a essência do fenómeno político, que é a luta pela aquisição, uso e manutenção do poder, passando até pela violência teórica, de carácter pacifista, estilo Proudhon, podemos encarar tal fenómeno como que uma busca desesperada, uma forma de exteriorização, de uma nova ideologia em formação e que tenta encontrar uma forma viável, com efeito útil. Daí os protestos sistemáticos, a oposição sistemática a tudo, a contestação permanente, as reivindicações constantes e, por fim, a violência como último recurso para chamar a atenção e não como resolução de qualquer problemática.

Sociólogo