Joel Mokyr, Philippe Agion e Peter Howitt ganharam o Nobel da Economia de 2025. O mesmo foi atribuído em 2024 a Daron Acemoglu, Simon Johnson e James Robinson. Estes foram galardoados pelas suas investigações sobre a maneira como as instituições moldam e influenciam o desenvolvimento económico e a prosperidade duma sociedade na linha do célebre livro escrito por Acemoglu e Robinson Why Nations Fail:The Origins of Power, Prosperity and Poverty.
Mokyr, um historiador económico ,apontou os pré-requisitos para o desenvolvimento sustentável: a ligação entre ciência e o desenvolvimento tecnológico, as competências nacionais e sociedades abertas a mudanças disruptivas induzidas pelo surgimento de novas tecnologias. Ele explica porque, a partir da 1.ª Revolução Industrial, começámos a ter crescimento económico em antítese ao marasmo em que se vivia antes .
Agion e Howitt, recuperando o conceito de destruição criativa, construíram modelos matemáticos que explicam o desenvolvimento sustentável através dessa destruição criativa com novas ideias e empresas a substituírem as antigas, ou seja, eles modelizaram esse processo de destruição criativa.
Estes modelos vieram substituir o modelo clássico de Solow em que o crescimento da economia dependia dos fatores de produção capital e trabalho e ainda do chamado fator residual que explicaria as taxas de crescimento que esses fatores não conseguiam justificar. Explico aos meus alunos de Economia para Engenheiros nas pós-graduações do IST que na época de Solow os economistas reconheciam a importância da tecnologia e do conhecimento para o crescimento económico mas, como não conseguiam incorporar essas variáveis no modelo económico, tratavam-nas como exógenas ao modelo, recorrendo ao tal fator residual referido. Os fatores físicos de produção, capital físico e trabalho, têm rendimentos marginais decrescentes. Rendimentos marginais decrescentes, embora ainda positivos, representa aquilo que temos sentido em muitas economias como a soviética e mais recentemente na portuguesa com o esgotamento do chamado modelo do betão: a insistência nos fatores físicos de produção leva uma economia, após uma fase inicial de grande crescimento, a uma nova e diferente situação de quase impasse económico justamente pelo esgotamento desses fatores físicos de produção para puxarem pelo crescimento económico devido a esses rendimentos marginais decrescentes. Um exemplo simples que costumo dar aos engenheiros nos referidos cursos de Economia para Engenheiros é das autoestradas em Portugal e que exemplifico com as existentes entre Lisboa e Porto. A primeira, a A1, teve certamente um grande rendimento marginal, diminuindo significativamente os custos de transação na economia. A segunda, começada com a A8, já terá tido rendimento marginal mais modesto… E a insistência em mais autoestradas vai levar a rendimentos marginais ainda mais modestos…
Foi depois Paul Romer, meu Professor de macroeconomia na Graduate School of Business da Universidade de Stanford, que, através do modelo do crescimento endógeno, conseguiu pôr a tecnologia e o conhecimento (KN) como variáveis endógenas e explicativas do modelo. Os modelos de Agion e Howitt vão na linha desse modelo do crescimento endógeno em que o novo fator de produção KN – Conhecimento (Knowledge) poderá ter rendimentos marginais crescentes, o que o diferencia dos clássicos fatores físicos de produção, gerando-se assim círculos virtuosos de crescimento nas economias e nas empresas que conseguem gerir esse novo e virtuoso fator de produção. Estamos então na chamada Economia do Conhecimento (Knowledge – based Economy), que leva a crescimentos muito expressivos e bem diferenciadores das que não agarraram este modelo.
Estas ideias tiveram impacto nos economistas portugueses a partir da década de 60 do século passado, tiveram grande influência na minha politica industrial como ministro da Indústria entre 1987-1995 quer no consequente apoio ás atividades de Investigação, Desenvolvimento Tecnológico e Inovação na estrutura produtiva quer no Projeto Porter.
Aghion e Howitt também explicam a relação entre Inovação e estruturas de mercado: em monopólio não há incentivos para inovar mas se a estrutura for muito concorrencial, as empresas também não terão margem comercial para inovar. Com efeito, se as empresas se aproximarem do arquétipo do modelo de concorrência perfeita, a teoria económica diz -nos que o lucro económico tenderá para zero. Isto tem plena aplicação na economia portuguesa, onde ainda temos uma estrutura empresarial esmagadoramente constituída por pequenas e microempresas sem escala e sem margem comercial para investirem na produtividade, na internacionalização e na inovação!
Também o conservadorismo e a rigidez que ainda temos, dificultando a saída do mercado dos falidos e dos mais ineficientes dificulta muito o processo de destruição criativa pois, como sabemos da economia industrial, as barreiras à saída criam verdadeiras barreiras à entrada de novos, mais eficientes e tecnologicamente mais apetrechados. A legislação falimentar e sobretudo o funcionamento do sistema judicial não permitem que as empresas zombie saiam do mercado, constituindo tal um sério obstáculo a termos em Portugal um verdadeiro processo de destruição criativa, regenerando e modernizando a estrutura empresarial portuguesa.
Engenheiro Eletrotécnico (IST) e Economista (MSc NOVASBE)
Coordenador do Observatório de Indústria, Inovação e Energia da SEDES