Já passaram quase duas semanas do regresso de Pedro Nuno Santos (PNS) à vida política ativa e o facto continua a ser motivo de comentários, análises e interpretações variadas. Voltou sendo como sempre foi. Frontal, sem medo das palavras e dizendo ao que vem: combater um Governo que considera «medíocre, incompetente» e «liderado por gente muito pouco séria». Quer faze-lo com todos, porque, salientou, para a empreitada todos são poucos. E embora afirme divergências com José Luís Carneiro, manifestou disponibilidade para fazer este combate ao lado do líder.
Apesar de uma larga maioria dos socialistas pensar exatamente o mesmo, alguns, com peso político no partido e na política nacional, decidiram não aproveitar o mediático regresso para se unirem na critica e no combate ao Governo deixando claro que essa é a batalha do PS.
Optaram antes por se manifestarem incomodados. Porquê? Porque PNS também criticou os «taticistas» que no partido «se escondem atrás da porta» à espera que os ventos soprem a favor do PS. Como se os taticistas não existissem desde sempre no Rato e a diversidade de opiniões e o debate de ideias não fosse uma das mais valias dos socialistas.
E num momento em que o PS navega ao centro e em que o líder entende que a moderação é a melhor forma de estar na oposição, uma voz forte, paralela e não opositora, que fale à esquerda e faça pontes neste lado político é mais útil que perigosa. O PS precisa de um ‘polícia mau’, para que os dirigentes da direita e da extrema-direita deixem de continuar a passar com sucesso a imagem mentirosa de que o partido de Carneiro não tem carisma, nem ideias e que apenas pedincha acordos ao Governo para não se afundar ainda mais. Alguém que combata a ideia de um partido mansinho que espera pelos erros do adversário para que o Sol chegue à sua eira.
PNS, enquanto governante e líder do PS, cometeu erros, alguns deles politicamente graves? Sim. É ele o principal responsável por os socialistas serem hoje a terceira força política no Parlamento? Sim, e não adianta culpar terceiros. Não significa isso que PNS não possa voltar a ser uma mais valia para os socialistas e um contributo para um partido plural que se faça ouvir de forma mais clara. Até porque também tem provas dadas que o pode ser.
Os dirigentes da direita democrática reagiram ao regresso de forma infantil e com pouca imaginação. Chamaram-lhe ‘menino mimado’ e ‘Pedro Santana Lopes do PS’, ficando-se sem se perceber quem queriam ofender.
Já os membros da extrema-direita radical, limitaram-se a umas graçolas alarves nas redes sociais, vindas dos mesmos deputados e dirigentes do Chega do costume, porque acham é assim que agradam ao líder e seguram o tacho que lhes evite um regresso ao desemprego político por incompetência.
E é no combate à extrema-direita radical que PNS pode ser outra mais valia para o PS, dando ao partido a liderança no combate ao extremismo e ao populismo que só se vence batendo com ele de frente e denunciando as falsidades vociferadas diariamente. Não terá sido por acaso que André Ventura, que tudo comenta e tenta aproveitar, ficou calado. Ele sabe que Pedro Nuno Santos pode ser uma espinha cravada na garganta do Chega - politicamente falando e usando uma frase dos tempos do PREC que nos últimos tempos tanto têm enchido a boca de Ventura.
*... se fosses só três sílabas de plástico, que era mais barato! (Do poema Portugal de Alexandre O’Neill)