terça-feira, 18 ago. 2026

Portugal, Cabo Verde e o pontapé no Fair-Play, da FIFA

Portugal esteve com Cabo Verde nesta sua primeira presença no Mundial de Futebol.

No momento em que escrevo esta crónica, Portugal prepara-se para jogar contra a Espanha. Não sei, por isso, se fomos bem sucedidos ou não, mas espero que por esta altura já estejamos a caminho das meias-finais. Ainda assim tenho muito orgulho em ser português e o mesmo não se mede pela prestação da nossa seleção. Vou sempre sofrer com os jogos e apoiar mesmo que não esteja de acordo com algumas (muitas) decisões do treinador. Como sou um lusófono convicto e alguém muito ligado aos países de língua portuguesa (sobretudo aos africanos), existe um carinho especial e uma vontade que depois da nossa seleção (sempre depois da nossa) queira a vitória de Cabo Verde e do Brasil. Não sou como alguns portugueses que, depois da prestação africana no Mundial, chegaram ao ponto de manifestar vontade de pedir nacionalidade cabo-verdiana; acho isso ridículo sobretudo pelas razões subjacentes mas estava de verdade a torcer por eles.

Eu e grande parte da população portuguesa que se juntou no orgulho aos valentes jogadores, muitos deles a jogar no nosso país. Quando tanto se fala em racismo não deixa de ser paradigmático tamanha manifestação de apoio. Por outro lado vi muitos africanos, alguns deles conhecidos da nossa praça, como o jornalista angolano Victor Hugo Mendes, que por sinal passou parte da sua carreira na RTP, a defender o Congo contra a seleção lusitana porque, segundo o mesmo, «primeiro África». A mim não me chateia absolutamente nada que este e outros defendam o que lhes vai na alma. Acho até que se o sentem o devem expressar. Mas não deixo de notar que, nos dias que correm, se fossem vários portugueses com assento no comentário publico a assumir uma posição similar, de dizer «primeiro os países Europeus e depois os nossos “irmãos” africanos», o que não se diria por aí…

Eu ainda assim mantenho a minha, vou sempre apoiar os países de Língua Portuguesa, sobretudo os africanos com quem tenho uma ligação especial e vou sempre querer que vençam, logo a seguir ao meu país e à minha bandeira. Essa parte não é sequer negociável. No entanto não deixo de constatar que não foram só os nossos cidadãos “woke” que hastearam bem alto o apoio a Cabo Verde, foi uma ampla e significativa parte da sociedade portuguesa e isso é uma chapada de luva da cor que quiserem, aos que defendem que o racismo é sistémico e está espalhado por aí. O ódio de muitas pessoas desses países para com Portugal é muitas vezes mais evidente no dia a dia do que meia dúzia de portugueses energúmenos que sentem o mesmo.

Em relação à FIFA, primeiro foi o livre de Messi contra Cabo Verde, com o guarda redes ainda a orientar a barreira sem que o arbitro nada fizesse contra uma tentativa de aproveitamento da posição desequilibrada da nova estrela Vozinha; agora é a vez do caso de um jogador norte-americano (Balogun) que foi expulso por uma entrada “a matar” como se diz na gíria, tendo sido absolvido por pressões da administração Trump que tudo fez para que o jogador alinhasse contra a Bélgica. Espero que o feitiço se vire contra o feiticeiro e a Bélgica vença, mas mais importante do que isso era fundamental que todos os países europeus se juntassem e falassem a uma só voz, se preciso for deixando a FIFA sozinha. É o fim do Fair-Play que só serve para tirar umas fotografias e dar uns abraços. Uma vergonha que está longe de surpreender quem quer que seja…

Música para dançar no fim de semana:

I Never Knew (Extended Mix) – Adam Ten