segunda-feira, 09 fev. 2026

O amanhã que não deve esperar

Os timings que não devemos perder, seja na vida ou na compra de um bilhete para um concerto.

Esta semana, um amigo confidenciava-me que tinha um livro guardado em casa para oferecer a uma pessoa há mais de um ano. Acontece que no espaço de um ano essa mesma pessoa foi diagnosticada com demência, largou a leitura de que tanto gostava e essa mesma oferta passou de especial para não fazer nenhum sentido. Nós, no decorrer das nossas vidas passamos por diversas situações deste género, em que falhamos os timings, erramos o tempo. E a vida é muito isso, uma cadência de ritmos e compassos, de sequências de comportamentos e atitudes. Gente que não se vê há muito e que se chateou por minudências. Que se gostam mas em que o orgulho fala mais alto, no momento em que pensam retificar apercebem-se que o outro já não está, partiu. Perdas irrevogáveis de relações porque duas pessoas não estavam na mesma fase, ao mesmo tempo. Provavelmente tinham tudo para dar certo mas não se encontraram por instantes na mesma estação.

Há sempre a tendência para acreditarmos que tudo se resolve e que não nos faltará espaço temporal para alinharmos as nossas vontades e sonhos. Mas infelizmente não somos nós que o determinamos, que o escolhemos. E a vida é perita em pregar-nos partidas, umas que nos deixam sem chão, outras que nos revelam novas oportunidades para não falharmos com o destino. Às vezes deixamos a nossa vontade e os nossos objetivos entregues à sorte, outras em que os deixamos em banho maria, à espera de um momento mais propicio. Quando os queremos recuperar ou libertar da letargia, puff, olhamos e já lá não estão. Já passaram. Houve um tempo em que estiveram lá para nós, mas não estão mais. É por isso que não devemos deixar os nossos sonhos, as causas que abraçamos ou as nossas motivações para depois. Adiar uma decisão, suspendê-la ou cristalizá-la a contar que se mantenha assim para sempre é um erro e provoca perdas irreparáveis. Acharmos que nos é indiferente, que não vamos dar pela falta ou que se não for hoje é amanhã, é um risco que muitos optariam por não correr depois de verem o resultado.

Mudando de assunto, mas dentro do que não deve esperar são os concertos em Portugal para 2026. Se o nosso país é de há uns anos a esta parte um local de eleição para grandes festivais e eventos musicais os maiores artistas internacionais descobriram que por cá existe um público animado, caloroso e muito presente, fazendo invariavelmente cruzar as rotas das suas tournées por Lisboa. Este novo ano não será por isso exceção. Os espetáculos que estão a gerar maior expectativa são naturalmente Rosalía, dia 8 e 9 de abril, no MEO Arena e Bad Bunny, o rapper porto-riquenho que atua a 26 e 27 de maio no Estádio da Luz. Mas muitos outros prometem incendiar (no bom sentido claro) os palcos de Norte a Sul, com maior ênfase na capital por onde passam normalmente os maiores nomes. Do regresso do Rock in Rio com Katy Perry e Rod Stewart, ao NOS Alive com Twenty One Pilots, Nick Cave & The Bad Seeds, Pixies, Florence + The Machine e Foo Fighters aos concertos de Doja Kat, Father John, Alphaville ou The Weeknd e muitos outros.

Destaco aquele que mais me enche as medidas. O Cascais Ageas CoolJazz vem-se afirmando como um evento à parte. Com um posicionamento e um target com pouca concorrência, brinda-nos ano após ano com alguns dos maiores nomes do género, mas com um ecletismo assinalável. Este ano David Byrne, dia 14 de julho, Chet Faker, dia 31 do mesmo mês e como cabeça de cartaz o inigualável Jamiroquai, que conta com uma legião de fãs muito interessante no nosso país. Se o amanhã não deve esperar, não se esqueça de comprar bilhetes a tempo para depois não dizer que chegou tarde.

A descobrir:

Não está dentro do roteiro mainstream dos festivais e espetáculos, mas é dos que mais me cativa. Se quer experimentar algo diferente que vos pode levar para outras viagens sonoras e visuais, o Festival Iminente regressa de 17 a 20 de setembro na antiga Escola Industrial Afonso Domingues. É uma aposta segura e daquelas que geralmente não perco.

Uma música para dançar no fim de semana: