terça-feira, 21 jul. 2026

Chapéus de sol em praias concessionadas

Portugal tem extensos areais, a praia deveria dar para todos... até para quem apresenta serviços diferenciados e paga por isso.

A polémica dos chapéus de sol nas praias portuguesas deu muito que falar nas últimas semanas. A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) veio esclarecer que os banhistas podem colocar os seus chapéus-de-sol em frente às concessões, desde que não ocupem a área efetivamente concessionada. A APA recordou ainda que as praias são espaços públicos e de acesso livre, considerando abusivas algumas interpretações que, durante anos, limitaram essa utilização. Partindo deste principio importa analisar o tema deixando de lado os habituais histerismos coletivos e focando-nos no que realmente implica para os clientes e para os empresários. O nosso País tem a sorte de ter cerca de 832km de Costa, o que representa uma vasta área de areal. Praias lindíssimas e grandes extensões de areia que, em princípio, dão para todos quantos cá vivem e para mais uns quantos que nos vêm visitar todos os anos.

Nós, felizmente, protegemos e muito os banhistas que querem usufruir das mesmas, ao contrário por exemplo de Itália em que muitas estancias balneares famosas, como a Costa Amalfitana ou Rimini, são ocupada quase na totalidade por concessões onde são cobradas taxas elevadas para usufruir do espaço. Outros países há que ainda permitem praias privadas, o que não é o nosso caso. Recordo-me assim de repente do exemplo do Príncipe, em São Tomé, onde um dos concessionários veda a utilização e o acesso da mesma a seu bel-prazer, utilizando como argumento e chantagem o emprego criado, o que tem levado a uma acesa discussão pública sobre a matéria. Por cá o areal é mesmo de todos, dos mais ricos aos mais pobres, dos que não têm problemas em gastar aos que preferem gastar o seu dinheiro noutras coisas. E é assim que deve ser. Mas aqui a situação é outra.

Grande parte dos areais são livres, sendo a área de concessão muito menor do que por exemplo na Grécia que pode chegar por Lei aos 50% do espaço. Os concessionários, pagam elevadas rendas às Câmaras, rendas essas que são supostamente para todos nós. Para um período de utilização que devido à meteorologia muitas vezes não chega aos 3 meses por ano, são fornecidos em cima desses valores pagos, os serviços de casa de banho, vigilância, nadadores salvadores, balneários e outros. Ou seja, aquilo que pode parecer à primeira vista um negócio extremamente rentável, na grande maioria dos casos não o é. As condições não são fáceis, as regras são mais do que muitas e grande parte das pessoas que utilizam as praias já levam “farnel” de casa. A minha pergunta é: se existe tanto areal assim que dê para todos, se as concessões prestam um serviço importante, criam emprego, ajudam a garantir segurança e oferecem conforto a quem procura, porque é que as pessoas precisam de colocar os seus chapéus precisamente em frente a esses espaços em vez de usarem uma área para o efeito? Não está em causa, como noutros países, o uso do espaço em frente – porque qualquer um pode para lá ir com a sua toalha –, está apenas em causa o chapéu de sol.

De um lado, estão aqueles que pagam dezenas de euros por uma fila privilegiada de chapéus e espreguiçadeiras. Pessoas que valorizam o conforto, a comodidade e, sejamos honestos, a vista desafogada para o mar. Do outro lado, estão famílias que carregam o carro com cadeiras, geleiras, brinquedos e chapéus de sol porque não podem ou não querem pagar esse luxo. Está tudo certo, mas acho que há espaço para todos e existe espaço para serviços diferentes dentro do mesmo areal. No meu entender o bom senso devia prevalecer. Ninguém ganha nada em colocar um guarda-sol propositadamente à frente de quem pagou uma espreguiçadeira apenas para afirmar um direito. As praias portuguesas são suficientemente grandes para acolher diferentes formas de as viver. Uns preferem o conforto do serviço montado. Outros a liberdade de abrir o seu próprio chapéu junto à água. Ambos têm o seu lugar ou pelos vistos não…e assim se cria mais uma guerra por quem devia ter sensibilidade para gerir o tema, mas pelos vistos não tem. Sensacionalismo puro e alguma pequenez à mistura.

A descobrir:

Junho é o mês do Festival do Solteiro na pequena cidade de Chaguaní, na Colômbia. Durante três dias, a vila emite um decreto oficial que declara todos os habitantes e turistas como “solteiros” perante a lei local para promover festas, encontros e diversão. O evento que se foca na cultura local e no entretenimento tem despertado o interesse de cada vez mais curiosos até porque não é levado para o lado promíscuo da coisa, mas sim para a socialização. E vale para os dois lados, o homem e a mulher de forma igual. Talvez seja uma forma interessante de sair da monotonia sem quebrar o relacionamento. Duvido ainda assim que todos achem a mesma piada. 

Música para dançar no fim de semana:

Going Shopping – The Strokes