Se o mundo “dança” ao ritmo da inteligência artificial também o entretenimento vai procurando novas fórmulas de sucesso que possam impressionar e seduzir um público que muitas vezes parece já ter visto tudo. É o caso do inovador Anyma. O DJ e produtor italiano, que tem conquistado com atuações esgotadas em cidades como Las Vegas, Ibiza ou Dubai, não apresenta apenas música. O que ele oferece é uma experiência imersiva onde som, imagem, tecnologia e emoção se fundem numa única linguagem. No passado, fomos habituados a separar as artes. Havia os músicos, os cineastas, os designers, os criadores de videojogos. Cada um trabalhava no seu território. Hoje, essa fronteira está a desaparecer. E este produtor é um dos rostos mais visíveis dessa transformação. Nos seus espetáculos, gigantescas figuras humanas digitais parecem ganhar vida diante do público. Corpos mecânicos emergem dos ecrãs, rostos transformam-se em inteligência artificial, estruturas tridimensionais desafiam a perceção da realidade. Em determinados momentos, deixa de ser claro onde termina o palco e começa o universo virtual.
O mais interessante não é o efeito visual em si. É aquilo que ele representa. Estamos a entrar numa era em que a tecnologia deixa de ser apenas uma ferramenta para passar a ser parte integrante da criação artística. A inteligência artificial, a computação gráfica, a realidade aumentada e os ambientes imersivos estão a redefinir aquilo que entendemos por entretenimento. Os mais céticos dirão que nada substitui um concerto tradicional, uma banda em palco ou um músico com um instrumento nas mãos. E provavelmente têm razão. Mas também houve quem dissesse que a televisão nunca substituiria a rádio, que a Internet não substituiria os jornais ou que os telemóveis seriam apenas uma moda passageira. A História raramente elimina o passado. Normalmente acrescenta-lhe novas variáveis. O que Anyma faz é mostrar-nos uma dessas.
As novas gerações cresceram rodeadas de videojogos, mundos virtuais e redes sociais. Para muitos jovens, a fronteira entre o físico e o digital já não é tão rígida como para aqueles que nasceram no século passado. Eles não procuram apenas ouvir música. Procuram viver experiências. Procuram sentir-se dentro da narrativa. E é precisamente isso que estes espetáculos oferecem.
Não estamos apenas perante um DJ. Estamos perante um realizador, um programador, um designer e um contador de histórias, tudo ao mesmo tempo. O palco transforma-se num laboratório onde se experimenta aquilo que poderão ser os eventos do futuro. Daqui a alguns anos, talvez seja normal assistir a concertos onde hologramas interagem com artistas reais, onde a inteligência artificial cria imagens em tempo real e onde cada espectador vive uma experiência personalizada através de óculos de realidade aumentada.
Parece ficção científica. Mas também parecia ficção científica falar com alguém do outro lado do planeta através de um pequeno aparelho que cabe no bolso. Se Anyma não inventou a tecnologia, percebeu antes de muitos outros como utilizá-la para criar algo novo. E é precisamente aí que reside o génio dos verdadeiros pioneiros. Enquanto milhares de pessoas levantam os olhos para aqueles impressionantes mundos tridimensionais, talvez estejam sem saber a assistir a algo mais importante do que um simples espetáculo musical. Talvez estejam a assistir a uma pequena amostra do futuro. E a verdade é que o futuro, ao contrário do que muitas vezes imaginamos, não chega de repente. Chega aos poucos. Às vezes, ao som de uma música eletrónica. E com um gigante digital a emergir de um ecrã para nos lembrar que a próxima revolução já começou. Só espero que o fascínio e a imponência do espetáculo não retire das pessoas a vontade de dançar sem o telemóvel no ar.
A descobrir:
Viajar não tem de ser caro ou um destino longínquo. Às vezes perdemos a noção de que perto de nós existem soluções bem interessantes para um fim de semana romântico ou em família. É o caso de Chaves, uma das bonitas cidades deste país e que tem umas termas renovadas (as maiores ao ar livre) com muitos tratamentos e umas piscinas com água entre os 30º e os 36º. Para massajar a barriga, paragem obrigatória num dos meus restaurantes preferidos. “O Carvalho” tem muito por onde escolher, a começar pelos enchidos caseiros mas o naco de vitela acompanhado do arroz de fumeiro é mesmo especial. Termine com as Migas à Carvalho e regressará a casa feliz.
Música para dançar no fim de semana: