A revolução dos clubes noturnos

As discotecas como as conhecemos em vias de extinção e a revolução que há-de vir, num novo formato.

A experiência noturna encontra-se num momento de profunda revolução. Acho que não preciso de o dizer. Todos nós que sempre gostámos de sair à noite, de beber um copo, dançar e de nos divertirmos já não o conseguimos fazer da mesma forma ou com o mesmo prazer, segundo os padrões a que nos habituámos. Parece que andamos sempre à procura de algo que já não existe e chegamos sempre a casa com a sensação de que perdemos o nosso precioso tempo. Por vários motivos que se complementam. Talvez a forma como vemos a noite esteja desatualizada, a oferta também mudou e por isso também os nossos hábitos se adaptam. As pessoas encontram-se através de aplicações de encontros e de redes sociais, ultrapassando muitas vezes a fase do que antigamente chamávamos “engate” ou, de uma forma mais suave, a sedução própria de trocas de olhares não programadas, do toque e até daquela saudável loucura que a própria pista de dança nos traz, a capacidade de sermos nós próprios sem grandes julgamentos e uma oportunidade quase única de não sermos olhados pelo nosso estatuto ou condição social.

Por tudo isto e também porque com as operações stop e a nossa evolução em relação ao que são as nossas obrigações e deveres, deixámos de usar o carro para nos deslocarmos o que implica que não raramente as nossas escolham recaíam por espaços onde podemos jantar e ficar mais um pouco a usufruir da socialização inerente. No fundo aquilo que fez a noite atraente e excitante como ela foi, como a música, o ambiente, a vontade de nos arranjarmos para impressionar e para causar sensação e furor ou mesmo o interesse pela interação com outras pessoas sofreu uma mutação relevante e que impacta na relação da oferta que o próprio mercado produz.

A juntar a tudo isto uma razão que se sobrepõe a todas as outras. Os clubes noturnos tornaram-se preguiçosos e é por isso que se diz que estão em vias de extinção. Diz-se não, a realidade é que por toda a Europa vão fechando cada vez mais discotecas ano após ano e novas aberturas são residuais. Porquê? Porque os espaços deixaram de apostar em conceitos diferenciadores, abdicaram das animações e das produções próprias, escolhem cada vez mais a mesma música sem que se possam distinguir através da curadoria musical, deixaram de se preocupar com o perfil do cliente e deixaram tudo nas mãos dos promotores. Descaracterizaram os lugares e “venderam-se” ao facilitismo e a quem lhes promete encher a casa, como se fosse um caixote ou um cabaz de compras. Isso fez com que as noite se tornassem todas iguais, monótonas, desenxabidas e pouco estimulantes. Aquela animação, o desejo de voltar, a alegria e a capacidade de nos divertirmos sem amarras e de nos sentirmos verdadeiramente felizes, deixou de existir. As emoções que conseguimos extrair nessas saídas não são suficientemente estimulantes para que queiramos repetir com frequência ou para que passemos a semana toda ansiosamente à espera que chegue “aquela” noite, como já existiu.

Quem se aproveitou disto foram logicamente os promotores que ao dia de hoje produzem as suas próprias festas, sempre ou quase sempre em espaços diferentes o que capta o interesse do público porque apresenta sempre alguma novidade ou algo misterioso que pelo menos promete uma experiência nova. Antigamente as discotecas eram os sítios mais preparados para produzir conteúdos e faziam-no apostando à séria em espetáculo e música, depois tinham 2 ou 3 Rp´s que serviam essencialmente para receber alguns clientes importantes e para que as pessoas se sentissem em casa, trabalhando a personalização e o serviço. Hoje com a passagem dessa responsabilidade para os promotores, passámos a ser todos carne do mesmo talho. As discotecas e os clubes estão em crise? Estão. Mas não irão desaparecer, aliás antevejo que regressem com toda a força, começando através de nichos de mercado para evoluir depois. Só precisam de perceber onde erraram e apostar diferente nesta revolução que os projete para o futuro.

A descobrir:

A semana passada fui visitar a cidade italiana de Torino. Confesso que ia sem grandes expectativas. A verdade é que Itália nunca desilude. Ruas bonitas e arranjadas, edifícios históricos em cada esquina ou não tivesse sido a cidade escolhida pela Casa de Saboia, uma das mais antigas famílias nobres europeias. É a cidade italiana do chocolate com avelã mais conhecido por “Gianduiotto” e tem uma gastronomia bem interessante que vai muito para além das pastas. Recomendo a Guancia Brasata (bochecha de vaca cozinhada lentamente ) e o Vitello Tonnato, uma espécie de rosbife com molho de atum, pode experimentar ambos no Caffe Scannabue.

Uma música para dançar no fim de semana:

Riders (To Ricciardi Remix) - Kermesse & Turu Anasi