Começou como descoberta, neste mundo cada vez mais global ao qual a música não escapa. No Instagram de um amigo, um story aberto quase por acaso e uma melodia que me ficou de imediato no ouvido. “Life feels so good”. Repetida vezes sem conta, quase até à exaustão, foi altura então de querer saber mais sobre o artista, pesquisar outros temas, descobrir de onde vem este som que me envolveu e captou a minha atenção de imediato. Logo eu que oiço milhares de músicas, à procura “daquela faixa” que torne os dias diferentes. O nome, Napsea, é quase um segredo na internet quando nada é segredo hoje em dia. O que me aguçou ainda mais a curiosidade, afinal de contas o proibido, o misterioso ou indecifrável leva-nos por caminhos tortuosos, mas ao mesmo tempo de um prazer inexplicável. A mente humana é mesmo assim. No Spotify este som levou-me a outros. “Noisy Graphs”, “I am the Pizza King”, “Better If You Lied”, “Can´t Even” e …“If You Couldn´t Feel It, That´s On Me”. Como seria isto possível? Todas excelentes como se, de repente, um artista tivesse nascido para tocar precisamente ao mesmo gosto, como se eu lhe tivesse sussurrado o que gosto e ela tivesse aplicado na pauta.
Letras que falam da vida, das relações, dos problemas e do lado bom do que cultivamos e cativamos nos outros. Um pouco do que tento passar nas minhas crónicas também. De repente a minha playlist no carro passou a estar invadida por este anfigúrico e enigmático nome que tanto apresenta vozes masculinas como femininas, que varia entre o pop, o rnb, a emoção, os sentimentos e a transformação do sentir. Não demorei por isso a chegar ao anúncio do lançamento de uma nova faixa. “Don´t Cry, Silly One”, um novo single que se apresentava como «uma memória aconchegante dos Natais da nossa infância». A caminho da Feira de Natal a minha mãe perguntou-me o que estávamos a ouvir porque era muito bom e, dos mais novos aos mais velhos, a opinião pareceu a mesma, o que nem sempre é fácil quando se trata de música. Mas de facto não é difícil de se gostar. Uma melodia quente com sonoridades que ficam no ouvido e nos despertam para o lado mais positivo da vida. As recordações, os momentos perfeitos, a magia do soul sentimental.
Até que um dia ao tentar ouvir uma das faixas…puff, “não se encontra disponível”. Vou a outra e o mesmo e depois outra e mais outra. Tentei procurar a razão, fui a outras plataformas e nada. Até que descobri o perfil do artista, que anunciava num post ter sido bloqueado em todos os canais por um litígio com o distribuidor. Procurei contactá-lo e obtive resposta. Do outro lado, aparentemente, um engenheiro de som, que se assume como o obreiro de toda esta obra prima realizada por…inteligência artificial. Sim, é mesmo verdade. Tudo o que ouvimos, os sons, as vozes, foi desenhado através de AI. Confesso que quando soube fiquei desiludido. Logo eu que adoro romantizar sobre a música, os instrumentos e os sons, levo com um balde de água fria destes. Depois do choque a realidade. O mundo vai mudando a uma velocidade incrível e essas mudanças não nos pedem opinião nem perdem tempo. Temos que aceitar as coisas como elas são.
O trabalho até pode ter sido realizado com recurso à inteligência artificial, mas o que é facto é que as músicas estão incríveis. É cada vez mais difícil conseguirmos separar a realidade do imaginário. Neste caso, mesmo com essa frustração por não serem músicos, temos que reconhecer que as diferentes melodias valem mesmo a pena ouvir. Mas não é só Napsea, vários outros projetos similares vão aparecendo por aí. A invasão deste novo recurso vai assim ameaçando cada vez mais postos de trabalho nas mais diversas áreas e pondo em causa tudo aquilo que dávamos por adquirido até há poucos anos. Mas como é que se deixa de ouvir uma música que nos “entra” tão bem no ouvido?
A descobrir:
Para os que como eu adoram um bom barbecue, provavelmente já ouviram falar do Kau, um projeto que nasceu na Malveira e que tem percorrido diversos espaços pop-up com as melhores carnes na lenha e que tem um Mac and Cheese como acompanhamento, absolutamente delicioso. Agora abriram a sua primeira loja fixa, em Lisboa e em que o Pastrami (peito de vaca), o famoso brisket, assume o papel principal. Inspirado nas clássicas Sandwich shops de Nova Iorque, por ali não há muito que enganar. Pão, mostarda e uma deliciosa carne merecem uma visita na Avenida Duque d´Ávila, em Lisboa. Mas as novidades não se ficam por aqui. O Kau Barbecue vai ter finalmente um espaço físico, precisamente na Malveira onde nasceu o projeto, lá para março, com o melhor do churrasco texano.
Uma música para dançar no fim de semana:
I Am the Pizza King – Napsea