Trump vai deixar a América mais fragilizada do que quando voltou a assumir a presidência.O slogan ‘Faz a América grande novamente’, com que se apresentou a eleições, choca com a realidade de um país que já sente, na economia e no plano social, os impactos de decisões erráticas, precipitadas, impulsivas e desenhadas em cima do joelho. Ao mesmo tempo, externamente, o Mundo, com exceção de Israel, perdeu o respeito aos Estados Unidos, não confiando na palavra de quem o dirige, de quem tem das alianças uma visão apenas egoísta e de quem recorre à chantagem e à ameaça como ferramentas privilegiadas da diplomacia.
Não vale a pena perder mais tempo a discutir a personalidade do Presidente americano. Como, ainda há dois dias, dizia Nancy Pelosi, Donald Trump é caso que deveria ser encaminhado para os psiquiatras. Talvez se se tivesse empenhado em enriquecer-se culturalmente e em ler mais, o seu comportamento e a sua mundivisão fossem outros.
Se há coisa que procurei fazer, ao longo de décadas, foi ler. Desde miúdo aprendi que a convivência com os livros nos faculta instrumentos de análise preciosos. Prepara-nos para compreender comportamentos, para interpretar sentimentos e para entender fenómenos sociais. Aponta-nos caminhos de estudo e ensina-nos a dissecar conceitos, significados, discursos e práticas. Mais facilmente se detetam o cinismo e a manipulação e se adere aos méritos da transparência versus a opacidade e o encobrimento.
Esta semana, a TVI deu, em primeira mão, a notícia de que a entidade responsável pelo controlo dos financiamentos dos partidos tornou mais difícil o acesso à informação relativa a quem dá ou oferece dinheiro às forças políticas que existem, em Portugal. Os jornalistas, na prática, deixarão de poder saber quem dá dinheiro a quem. Os montantes ainda vá que não vá, os nomes nem pensar…
Não sei francamente se ainda serei surpreendido por alguma coisa que aconteça neste País. O sigilo que se introduz, neste caso, não tem nada a ver com questões de privacidade ou de devassa dela. Só pode ser mais uma demonstração do secretismo com que o universo político insiste em rodear-se e a flagelar-se a si próprio com o chicote das suspeitas de falta de honestidade. Não é saudável para a democracia o afogamento da transparência, pressuposto essencial para por a nu interesses, apoios, conluios e mesmo conspirações. Não pode existir confidencialidade em matérias estruturais a uma sociedade que se quer moderna, ética e moralmente recomendável.
Espero que alguém, com bom senso, considere que ainda vai a tempo de colocar o assunto num patamar são. Da democracia e da honestidade de processos nunca se desiste.
As manhãs, quando o sol acorda e as notícias frescas nos trazem de volta o mundo que nos rodeia, constituem momentos bons para alimentar a esperança. Amanhã é outro dia. Pode ser que a clarividência, ou algum assomo dela, surja. Se não, há sempre os livros. Refúgio e salvação. Também castelos cheios de lições de paciência. A tal que já vai faltando perante tantos tiros nos pés…