segunda-feira, 09 fev. 2026

O (meu) voto numa folha de Excel

Atribuo, também, grande importância à renovação da governança (diferente de governo) de Portugal, ou seja, à capacidade de para ela atrair caras novas, talentos ignorados, ideais frescas e personalidades otimistas.

António Carrapatoso num interessante artigo no Observador de 8 de janeiro (https://observador.pt/opiniao/eleicoes-presidenciais-reflexoes-para-uma-escolha/) avançou com um conjunto de critérios que poderiam orientar uma escolha de voto nas eleições presidenciais, e desafia o leitor a pontuar os cinco principais candidatos numa escala de 1 a 10. Certamente seria possível encontrar outros critérios ou acrescentar a lista. Mas os sete sugeridos parecem-me muito razoáveis e respondo aqui ao desafio (com os candidatos identificados pelas iniciais).

O quadro revela que vejo debilidades (e forças) em todos os candidatos. Nenhum domina de forma clara em todos os critérios. Na minha avaliação global, HGM vem na frente seguido de perto por JCF. No fundo LMM. Todavia, o meu sentido de voto não respeitará exatamente aquela ordenação, pois não pondero igualmente todos os critérios propostos por António Carrapatoso.

A clareza da visão geral para o futuro do País é, para mim, decisiva. O desafio mais profundo que Portugal enfrenta é o do crescimento económico. Ao longo deste milénio o nosso nível de vida divergiu relativamente à média da EU: em 25 anos o PIB per capita em PPC passou de 85% da média para apenas 79,8%. Sem crescer mais rápida e sustentadamente nenhum dos outros problemas mais visíveis – da saúde à habitação, passando pela segurança social, demografia, a fuga de jovens talentos e mesmo a segurança nacional – terá solução. Quase todos os candidatos concordam que o crescimento é uma prioridade; contudo levantam sempre uma outra consideração que ganha precedência, seja geopolítica, ecológica, cultural ou igualitária. Apenas JCF coloca o crescimento como prioridade, sem adversativas. Mais, penso ser JCF é o único que revela perceber o facto fundamental de que as pessoas reagem a incentivos, e que sem os incentivos certos – a trabalhar, a arriscar, a inovar, a poupar, a investir – o crescimento não acontece. Não chegam apelos ou discursos motivacionais. O Presidente não governa, é certo, mas através da sua magistratura de influência pode estimular governos tímidos ou relutantes a adotarem agendas reformista que promovam o crescimento. Para crescer ajuda muito ter de um Presidente reformista.

Atribuo, também, grande importância à renovação da governança (diferente de governo) de Portugal, ou seja, à capacidade de para ela atrair caras novas, talentos ignorados, ideais frescas e personalidades otimistas. As outras candidaturas do centro trazem-nos os figurões do costume. Com eles, teremos ‘moderação’, ‘experiência’, sem dúvida, mas precisamente aquelas moderação e experiência que tranquilamente conduziram o País à apagada e vil tristeza em que se encontra. É impossível renovar votando nos mesmos de sempre.

Por isto votarei em João Cotrim de Figueiredo.

voto.excel

Professor universitário