sexta-feira, 08 mai. 2026

Política Portuguesa

Somos um país em que a única coisa que funciona bem é cobrar impostos, para quem trabalha por conta de outrem e com menos posses.

A vida política em Portugal, com tanta desresponsabilização e amnésia, continua a cavar um fosso enorme entre os cidadãos e a actividade política, quer dos políticos, quer dos dirigentes que administram o nosso dinheiro.

Pessoas que vão trabalhar todos os dias, pagam os seus impostos religiosamente e fazem enorme ginástica para chegar ao fim do mês, não entendem que não se puna quem se deve punir e, chega-se ao fim, é uma mão cheia de nada.

Somos um país em que a única coisa que funciona bem é cobrar impostos, para quem trabalha por conta de outrem e com menos posses.

Vivemos num regime de "habilidocracia", que têm levado à indiferença dos cidadãos em relação ao mundo da política. Os políticos têm a sua reputação e legitimidade nas ruas da amargura.

Portugal está a transformar-se num país faz de conta, de cobardes, de ladrões e de corruptos. Somos um país de paródia, sem direito, sem razão, sem uniformidade, sem equidade, sem rigor, sem dignidade, sem imparcialidade. Depois queixam-se da abstenção!

Portugal é um país em que não há presos políticos, mas há políticos presos.

Actualmente, quem comanda o país é Luís Montenegro, a vida política é uma espécie de terra do PSD, mas quando liderava António Costa, a vida política era uma terra do PS. O resto é uma terra de ninguém. Isto é, quem está no poder asfixia tudo o resto.

Há um lado ordenado: controlo do défice público; desemprego baixo em níveis históricos; tentativa de minimizar o impacto da guerra.

Mas há um lado caótico: um discurso desfasado da realidade; o estado dos serviços públicos; inflação e custo de vida; serviço nacional de saúde.

A política portuguesa tornou-se um mundo individualista. O escritor bengali Amitav Ghosh (69 anos, Calcutá, Índia) explica que a ética do bote salva-vidas é uma teoria racista que afirma

que alguém num bote salva-vidas tem o direito de impedir que os outros embarquem para evitar o naufrágio.

Na política quem está no poder ou foi designado para um cargo, a grande maioria, provede assim, mas depois é pior que o Titanic.

Sempre que posso releio Dalai Lama.

Dalai Lama frequentemente enfatiza que o verdadeiro poder não vem da posição hierárquica, mas da capacidade de servir e ajudar os outros.

O Poder Corrompe se não houver Ética: Dalai Lama alerta que, sem compaixão e ética, o poder pode facilmente corromper e levar a motivações egoístas, fazendo com que líderes passem por cima dos outros.

Alerta sobre o "Culto ao Líder": Ele próprio e outros líderes espirituais pedem que não se idolatre ninguém. A "vigilância" deve ser contínua para não colocar seres humanos em pedestais, reconhecendo que todos podem cometer erros quando o poder "sobe à cabeça".

Em resumo, a postura do Dalai Lama é de quem ocupa cargos de poder ou influência deve estar alerta à sua própria mente, cultivando a compaixão para não se tornar um déspota, mas sim um agente do bem comum.

Vejo tanta gente a ocupar cargos sem saber ler e escrever, escolhidos pelo acaso que são uns deslumbrados e empertigados, esquecendo-se que o poder é efémero e que depois se sublimam e desaparecem.

A minha máxima é analisar como alguém chega ao poder e a forma como abandona o poder.

Continuo a achar que as pessoas com mais valor estão em casa para não se incomodarem, com esta “gentinha”.

Fundador do Clube dos Pensadores