Li no jornal Público que quatro entidades públicas abandonaram grupo anti-fraude para os fundos europeus. O grupo de reflexão sobre a fraude no uso de recursos da União Europeia (UE) criado pela Procuradoria-Geral da República.
A Inspecção-Geral das Finanças (IGF), a Agência para o Desenvolvimento e Coesão (ADC), a Estrutura de Missão Recuperar Portugal (EMRP) e Instituto de Financiamento para Agricultura e Pescas (IFAP) bateram com a porta.
Como sempre em Portugal trabalhar em grupo não é connosco! As razões foram: relacionamento nem sempre foi pacifico, limitações, fragilidades estruturais, centralização excessiva e défice de participação pública, entre outros.
Deste grupo fazem parte o Ministério Público, representantes do gabinete anti-fraude da Comissão Europeia, Polícia Judiciária, Tribunal de Contas e Transparência Internacional.
Todos estes membros do grupo não são remunerados, trabalham pro bono, não possuem pessoal, não têm sede ou instalações fixas.
Sinceramente assim é impossível fazer alguma coisa! Criam-se com pompa e circunstância entidades ou grupos, mas depois não se lhes dão as condições para exercer as suas funções e terem capacidade de fiscalização.
Nós em Portugal somos peritos em dar presentes envenenados, procurar tapar o Sol com a peneira, fazemos enormes tentativas inúteis de esconder um problema grave ou uma verdade óbvia utilizando meios ineficazes ou superficiais.
A corrupção é algo grotesco na nossa política, cada caso de corrupção, suborno contribui para o desânimo cívico.
A nossa democracia tem muitas deficiências no seu sistema, mas também a hipocrisia dos partidos emerge e o assobiar para o ar.
Está demonstrado por diversos estudos que a corrupção é uma das maiores causas, no aumento de desconfiança dos cidadãos. Há uma espécie de cupim no ar e sinais de infestação difíceis de debelar.
Há vários tipos de corrupção utilizando as cores do espectro pode ser: corrupção branca, cinza ou negra.
Cada caso de venalidade política contribui para o desânimo cívico e evidencia a hipocrisia dos actores políticos, conforme são poder ou oposição.
Cada caso de corrupção é transformado num arremesso contra o adversário, todavia quando isso afecta o seu partido, há sempre uma tentativa de justificação. Cada partido procura minimizar os seus próprios casos e superdimensiona o que é do outro.
Temos tendência para desvalorizar o que é do nosso partido ou de quem simpatizamos, em vez, da tentativa de melhoramento permanente. Tudo se transforma em cabalas e criar obstáculos, em vez, de irmos ao cerne da questão.
Devemos em democracia fazer uma avaliação da gravidade das situações sendo dos “nossos” ou “deles”.
Fundador do Clube dos Pensadores