quinta-feira, 14 mai. 2026

Ano Escolar: períodos ou semestres? Eu prefiro períodos

Em Gaia, se não me engano, é o único concelho do país em que o ano escolar em todas as escolas está dividido em semestres (1.º e 2.º semestres), em vez, da normal divisão do ano escolar em períodos (1.º, 2.º e 3.º). Realço que quem estuda no ensino privado em Gaia mantém-se os três períodos.

Para falar deste tema, senti a opinião in loco, falei com alguns professores amigos e tive a prestimosa informação de Mário Nogueira. Muitos professores, em Gaia, lamentam não terem sido ouvidos nem achados na passagem do ano escolar para semestres e que compete às escolas em debate decidirem o que pretendem. As direcções de diversas escolas tomaram essa decisão de forma iníqua. Porventura, para agradar ao Ministro da Educação de turno ou ao presidente da Câmara da altura ou ao presidente de alguma associação de directores de Gaia?! Por outro lado, essa decisão injusta para ser revertida carece de vontade e o habitual encolher os ombros, muito à moda dos portugueses, prevalece. Cada escola deve analisar os prós e contras num debate em que devem participar o pessoal docente e pessoal não docente, parte integrante do universo escolar, que é sobrecarregado pelas pausas pedagógicas.

O resultado confirmou o que me parecia, há opiniões para tudo: professores que afirmam que é muito melhor a semestralidade; professores que abominam a semestralidade e defendem os trimestres; professores que dizem ser indiferente e que é uma questão de hábito e adequação.

Ainda assim, as críticas aos semestres que surgem são do seguinte teor:

- Menos um momento que os alunos têm, intermédio, para verificar a sua evolução em termos de avaliação sumativa;

- Há quem considere que, com apenas dois momentos de avaliação, os alunos acabam por se preparar sobretudo para o segundo, o que prejudica aprendizagens ao longo do ano;

- Menos um momento em que os pais, sobretudo os que se deslocam à escola apenas nos momentos em que há avaliação sumativa, contactam com a escola e o diretor de turma;

- Nos casos de disciplinas com apenas um tempo semanal, é verdade que o semestre permite que, semanalmente, haja outro tempo, no entanto há quem critique o facto de, depois, os alunos ficarem um semestre inteiro (o seguinte ou o anterior) sem contacto com a disciplina;

- Muitos pais não têm onde deixar os filhos e é um enorme transtorno com os semestres;

- Assistências operacionais são transferidos para as Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) durante as interrupções letivas semestrais, designadamente da Páscoa.

O que se seria de bom tom, é a organização por trimestres, mas equilibrados na duração. O facto de os trimestres se organizarem de acordo com o calendário religioso, com as principais interrupções no Natal e na Páscoa, faz com que haja desequilíbrios na duração de cada um, sobretudo nos segundo e terceiro, por vezes muito longo um deles e muito curto o outro.

Sem pôr em causa alguns dias de interrupção em datas festivas a organização do ano escolar poderia ser outra, sobretudo na divisão dos 2.º e 3.º períodos. É o que acontece em França.

A divisão do ano escolar por períodos é mais sensato, equilibrado e razoável.

Fundador do Clube dos Pensadores