sexta-feira, 10 jul. 2026

Votação no Parlamento Europeu sobre a imigração

É triste que se tenha chegado a esta situação, mas é o que acontece quando durante muitos anos os governos não tiveram coragem para fazer o que era necessário: garantir a segurança das fronteiras e impedir a entrada de imigrantes ilegais.

SÁBADO, 13
O acordo entre os Estados Unidos e o Irão I

Há mais dúvidas do que certezas sobre o acordo entre os Estados Unidos e o Irão. Sabemos que será assinado na sexta-feira (hoje, para quem está a ler o SOL). Também sabemos que no prazo de 30 dias, os Estados Unidos levantarão o bloqueio marítimo e o Irão reabre o Estreito de Ormuz. O regresso da navegação livre ao Estreito de Ormuz será o primeiro grande teste à boa-fé do regime iraniano.

Segundo o memorando de entendimento, o Irão também se comprometeu a abandonar o programa nuclear e a destruir o urânio enriquecido que está no seu território. Há uma relação entre a conclusão de um acordo nuclear, no prazo de 60 dias (poderá ser alargado se houver um acordo entre as partes), e o levantamento progressivo das sanções ao Irão.

DOMINGO, 14
O acordo entre os Estados Unidos e o Irão II

Há dúvidas sobre os 300 mil milhões de dólares para investir no Irão. A administração norte-americana afirmou que não contribui para esse fundo de investimento. Será verdade? Serão apenas os países árabes do Golfo a contribuir para esse fundo? Desconfio que Trump fez o seguinte acordo com os países do Golfo: os 300 mil milhões de dólares fazem parte das contrapartidas para os Estados Unidos continuarem a garantir a segurança desses países.

Mas a grande dúvida é sobre o que se passa no interior do Irão. Ninguém pode dizer o que se passa porque a informação é muito escassa. Num regime com o poder muito centralizado, a morte do antigo líder supremo e de grande parte da liderança do país tem necessariamente consequências enormes para o futuro do país. Ninguém sabe quem manda no Irão neste momento. Muitos falam da Guarda Revolucionária, mas há mais de 30 unidades e estão muito fragmentadas e divididas. Ninguém sabe o estado de saúde do novo líder supremo, nem sequer se ele manda no país.

O fim da guerra será um momento existencial para o regime. Está fragilizado, a economia está muito má, e as divisões que sempre existiram no Irão terão aumentado. O regime poderá sobreviver, mas é provável que haja uma profunda redefinição da política iraniana.

SEGUNDA, 15
Israel e o Líbano

O acordo entre os Estados Unidos e o Irão não é bom para Israel. Não podemos dizer que é mau porque o Irão comprometeu-se a terminar o programa nuclear, o que tem sido a maior preocupação para Israel. Desse modo, Israel reforça a sua superioridade militar sobre o Irão, o que é essencial para a sua segurança nacional, pelo menos enquanto o regime iraniano estiver no poder.

O elemento negativo é a garantia da sobrevivência do Hezbollah. Duvido que Israel não use a força militar contra o grupo terrorista se este atacar o território israelita. Compete ao governo israelita defender o país. Tudo fará para o fazer, este governo ou qualquer outro. Israel também manterá a zona de segurança no sul do Líbano. Terá que o fazer, acima de tudo, porque a ONU mostrou durante mais de uma década que é incapaz de impedir os ataques do Hezbollah contra Israel.

TERÇA, 16
A Cimeira do G7

A Cimeira do G7, realizada em França, foi quase uma reconciliação entre os líderes europeus e Trump (e os líderes canadiano e japonês). Felicitaram o Presidente americano pelo acordo com o Irão. A França e o Reino Unido mostraram mesmo disponibilidade para liderar uma força naval para garantir a navegação no Estreito de Ormuz.

Encontraram-se todos com Zelensky antes do início da Cimeira, colocando pressão sobre a Rússia. Washington parece aceitar uma participação maior dos europeus no processo de paz na Ucrânia. A votação no Parlamento Europeu do acordo comercial entre os Estados Unidos e a União Europeia também ajudou à reconciliação transatlântica, pelo menos por agora. Mas Trump não é capaz de viver muito tempo sem conflitos e, mais tarde ou mais cedo, terá novos problemas com os europeus. Esperemos que não seja de novo por causa da Gronelândia.

QUARTA, 17
Votação no Parlamento Europeu sobre a imigração

O plenário do Parlamento Europeu votou o regulamento sobre a expulsão dos imigrantes ilegais nos países da União Europeia. Falta agora ao Conselho da UE (os Estados-membros) votarem para se concluir o processo legislativo. Com a nova legislação, os governos dos países da União Europeia devem forçar os imigrantes ilegais a regressarem aos seus países. Os países da zona Schengen têm mesmo a obrigação de o fazer por uma questão de solidariedade com os outros Estados-membros.

A Resolução é conhecida com a European return order, e os países europeus têm 30 dias para repatriar os imigrantes ilegais. Houve uma ampla maioria no Parlamento Europeu, 418 votos a favor e 218 votos contra. A maioria parlamentar foi do centro à direita populista, incluindo deputados europeus dos liberais (Renew Europe, onde se senta a IL, aliás o relator parlamentar era do grupo), do PPE (PSD e CDS), dos conservadores (ECR), e dos Patriotas (onde se senta o Chega).

É triste que se tenha chegado a esta situação, mas é o que acontece quando durante muitos anos os governos não tiveram coragem para fazer o que era necessário: garantir a segurança das fronteiras e impedir a entrada de imigrantes ilegais.

QUINTA, 18
O Conselho Europeu e as relações com a China

As relações entre a União Europeia e a China é um dos temas centrais do Conselho Europeu de hoje. Em particular, o défice comercial entre as duas partes, que não para de crescer. Os europeus acusam os chineses de produção industrial excessiva, apoiada em ajudas de estado ilegais, que deturpam a concorrência, e da desvalorização artificial da moeda. É provável que o Conselho Europeu dê um mandato à Comissão Europeia para adoptar medidas duras de defesa comercial contra a China. No entanto, os europeus querem evitar uma guerra comercial com a China, mas ao mesmo tempo proteger as indústrias europeias. Será difícil manter este equilíbrio frágil.

Na verdade, estamos perante mais do que uma mera questão comercial. O problema de fundo são as políticas económicas e industriais da China. O regime chinês quer, no plano externo, reforçar o seu poder industrial global, visto como a principal fonte de poder e de influência diplomática da China. No plano interno, por razões ideológicas e do poder do partido, a China não quer incentivar o consumo interno, o que levaria ao aumento das exportações europeias para o mercado chinês, e à redução dos atuais défices comerciais. O incentivo ao consumo interno exige aumentos salariais que o regime chinês recusa para manter a população fraca e sob controlo.

O confronto entre a China e a União Europeia é de natureza industrial. Na China a produção industrial é excessiva e o consumo é reduzido. Na Europa, o consumo é elevado e a produção industrial diminui. Se a relação bilateral continuar assim, a prazo, o poder industrial chinês acaba com as indústrias na Europa. Hoje, a China é a maior ameaça industrial à Europa. A França já percebeu, e a Alemanha começa a perceber.