Sexta, 26 de Junho: A AD aprovou a PSU com o PS
A AD aprovou a PSU com o PS. Por princípio, sou contra a acordos de bloco central. Favorecem os extremos e nada contribuem para a clarificação política portuguesa. Além disso, nos últimos anos, sobretudo nos anos com António Costa a PM, o PS mostrou que é um partido anti-reformista.
A PSU foi aprovada pela AD e pelo PS por duas razões: uma, depois do Chega ter votado contra a reforma laboral do governo, seria impossível aprovar a PSU; em segundo lugar, o próprio PS comprometeu-se com uma reforma da PSU quando o governo de Costa aceitou os fundos do PRR.
Há mais uma conclusão a retirar. José Luís Carneiro não quer uma crise política agora. Se quisesse, não teria aprovado a PSU. Desconfio que o PS deixará passar o orçamento para o próximo ano. Não só não quer eleições no próximo ano, como possivelmente o PR não dissolveria o parlamento se o orçamento não fosse aprovado.
Sábado, 27 de Junho: A tese dos três blocos
O governo desenvolveu a tese dos três blocos políticos: as esquerdas, onde estão o PS e os outros partidos de esquerda; o centro, onde está a AD; e a direita populista, onde está o Chega. Na minha opinião, é um erro profundo e a AD arrisca-se a pagar um preço muito caro.
A tese foi desenvolvida por causa da segunda volta das eleições presidenciais. Como a AD não quis apoiar nem Seguro nem Ventura, surgiu a tese dos três blocos para justificar a abstenção oficial da AD. O problema inicial foi transformar uma resposta específica a uma situação política conjuntural numa tese geral. A tese do centrismo significa permitir que acontecimentos conjunturais determinem a posição política estrutural de um partido (neste caso, dois partidos). É quase sempre um erro.
Temo que o voto do Chega contra a reforma laboral e o voto do PS a favor da PSU reforcem a tese dos três blocos. Montenegro, que chegou à liderança do PSD contra Rui Rio, está a cair no erro do seu antecessor e a deixar afunilar o PSD numa terra de ninguém. O centro político é um lugar de eleitores, aqueles sem grandes identidades ideológicos, bastante pragmáticos que votam nos partidos mais moderados e não nos mais radicais. O centro não é um lugar para partidos políticos que, ao contrário dos eleitores, devem ter identidades políticas e ideológicas claras. Em política, a moderação não é sinónimo de centro. Há moderados de direita e de esquerda.
Para o PSD, o risco do centrismo é acabar entalado entre o PS e o Chega; e passar de primeiro para terceiro partido. O que o PSD (e a AD) deve fazer rapidamente é recuperar o seu lugar tradicional do maior partido de direita, um partido moderado e reformador, que conquista votos desde os eleitores pragmáticos do centro até aos eleitores liberais, conservadores e nacionalistas de direita. Obviamente que o aparecimento do Chega torna tudo mais difícil. Mas a solução não é abandonar todo o espaço da direita para o Chega. A solução é tentar ocupar o espaço que vai do centro para toda a direita. Se não o fizer, o PSD deixará de ser um grande partido político.
Domingo, 28 de Junho: O PSD colocou o PS sob pressão com a imigração
O PSD fez muito bem em colocar pressão política sobre o PS a propósito da imigração. O descontrolo total da imigração durante os governos de Costa foi um desastre político. Além disso, José Luís Carneiro foi o ministro responsável pela imigração.
O PSD deve tentar apurar tudo o que se passou, por que razão os governos socialistas adotaram a política da manifestação de interesse. Por que razão o governo da geringonça aceitou acabar com o SEF, a pedido das extremas esquerdas. O que explica o abandono do controlo das nossas fronteiras externas. E por que razão os governos socialistas nada fizeram para combater a imigração ilegal.
O PSD deve expor os erros gravíssimos cometidos pelos governos de Costa perante o país e os portugueses. A irresponsabilidade permanente do PS tem que deixar de marcar a política portuguesa.
Segunda, 29 de Junho: O encontro entre a UE e o governo Chinês em Bruxelas
O comissário para o Comércio, Sefcovic, encontrou-se em Bruxelas com o ministro chinês para o comércio, Wang, para discutirem as relações comerciais bilaterais. Neste momento, a China é a maior ameaça às indústrias europeias e o défice comercial entre as duas partes continua a aumentar. Se a UE não agir rapidamente, daqui a uns anos deixará de haver indústrias europeias. O governo chinês sabe disso e quer acabar com as indústrias do seu maior rival comercial. A UE era o maior exportador mundial até a China ocupar esse lugar em 2022.
Mais uma vez, a incapacidade dos governos europeus, a começar pelo alemão (Merkel é de longe a maior responsável), causou danos enormes à Europa e agora os custos de uma resposta firme pela UE serão muito pesados. Hoje, a Europa precisa mais da China do que o contrário. A China pode deixar de importar bens e serviços da Europa porque produz o mesmo muito mais barato. A Europa também não tem os recursos naturais que a China precisa.
Só resta um activo muito importante à UE: o seu mercado. A China precisa de exportar para a Europa, não só para manter o crescimento económico como para continuar a aumentar a qualidade dos seus bens industriais. Não é possível preservar a qualidade industrial e a competitividade tecnológica, exportando apenas para os mercados emergentes. A China precisa de mercados sofisticados comos os europeus. Para garantir a sobrevivência das suas indústrias, a UE deve fechar o mercado europeu à China enquanto ela praticar uma competição desigual, assente em subsídios estatais, num mercado laboral sem direitos e na desvalorização artificial da moeda.
Terça, 30 de Junho: A UE fechou o mercado europeu ao aço chinês
Um dia depois do encontro entre a Comissão Europeia e o governo chinês, Bruxelas decidiu fechar quase completamente o mercado europeu às exportações do aço chinês. A Comissão Europeia impôs tarifas e quotas às importações de aço para ajudar a salvar a indústria europeia. Mas chegou a acordos com vários países, entre eles quatro dos cinco maiores exportadores para a UE: a Turquia, a Coreia do Sul, a Índia e a Ucrânia. A China foi o único dos cinco maiores exportadores (o terceiro maior hoje) que não chegou a um acordo com a UE. Assim, com a aplicação das novas quotas europeias, as exportações de aço da China para a Europa vão baixar de 2.4 milhões para 800.000 mil toneladas. Ou seja, durante os próximos anos as exportações de aço da China para a UE serão gradualmente substituídas por exportações de outros países com quem a Comissão chegou a acordo.
Quarta, 1 de Julho: Passaram dez anos do Brexit
No dia 30 de Junho, passaram 10 anos do referendo no Reino Unido que levou ao Brexit. Pode dizer-se, com segurança, que o Brexit não beneficiou a economia britânica. Mas também não se pode garantir que o Brexit é responsável pela crise económica britânica. Poderia estar em crise com o país na UE, tal como estão as economias alemã e francesa. Mas o Brexit mudou a política britânica. Apareceram novos partidos à direita, como o Reform e, mais recentemente, o Restore. À esquerda, os Verdes cresceram. Os conservadores continuam divididos sobre a relação com a UE, e os nos trabalhistas essas divisões aumentaram.
O aparecimento dos novos partidos à direita também tem a ver com a imigração. Mas a principal causa é a mudança na natureza da imigração. Ao contrário do que diziam os defensores do Brexit, a saída da UE não parou a imigração, pelo contrário aumentou e, sobretudo, vem de países muito mais problemáticos. Os imigrantes de ontem, polacos, bálticos e outros europeus, não causavam problemas e contribuíam para o crescimento económico. Os imigrantes de hoje, do Afeganistão, do Iraque, da Somália, vivem de subsídios do Estado e causam problemas, incluindo ataques violentos. A mudança da natureza da imigração que chega ao Reino Unido tem a ver com a incapacidade do Estado de garantir a segurança das suas fronteiras, mas também e muito com o Brexit.
O Brexit também contribuiu para a instabilidade política. Desde 2016 e de Cameron, Burnham será o sexto PM britânico. Seis PMs em dez anos é inédito na história britânica desde o início do século XX.