terça-feira, 09 jun. 2026

O radicalismo do PS

No interior de um homem socialista (não posso falar das mulheres socialistas porque nenhuma chegou a líder do partido), há um jovem bloquista, que se liberta sem a responsabilidade do poder.

SÁBADO, 16
O radicalismo do PS

A maioria das discussões sobre a divisão entre socialistas moderados e socialistas radicais concentra-se demasiado nas figuras do PS, nas suas declaração e posições ideológicas. O pensamento político dos dirigentes socialistas é naturalmente relevante. Mas a situação política do PS é igualmente importante, e muitas vezes ignorada. Dito de outro modo, os socialistas no Governo são mais moderados do que quando estão na oposição. Há inúmeros exemplos.

Como ministro de Guterres, Ferro Rodrigues tinha uma imagem relativamente moderada. Como líder do PS, na oposição, transformou-se num radical, e parecia que tinha regressado a Paris em 1968 (e parece que ainda lá está). António José Seguro, que passou sempre como um moderado (de tal modo que muitos dirigentes do PSD e do CDS apelaram a votar nele há uns meses), quando fez oposição a Passos, por vezes, parecia um líder estudantil radical, de regresso aos dias da JS. António Costa foi mais moderado como PM, mesmo à frente da ‘geringonça’, do que como líder da oposição. Passa-se o mesmo com José Luís Carneiro. Da imagem de moderado como ministro passou ao radicalismo socialista, típico na oposição.

Os termos usados pelos socialistas sobre a utilização da base dos Lajes pelos norte-americanos durante a guerra no Irão foram o exemplo mais recente do radicalismo de oposição do PS. No interior de um homem socialista (não posso falar das mulheres socialistas porque nenhuma chegou a líder do partido), há um jovem bloquista, que se liberta sem a responsabilidade do poder. Os líderes do PS na oposição são como um grupo de homens de 40 ou 50 anos que fazem uma despedida de solteiro: voltam à idade da adolescência. Não há nada a fazer. José Luís Carneiro tem anos de adolescência pela frente. Só resta ao Governo e ao PM tratá-lo como um adolescente.

DOMINGO, 17
Eleições na Andaluzia

Houve eleições na Andaluzia, uma das maiores regiões de Espanha. O PP voltou a ganhar, mas perdeu a maioria absoluta. O PSOE perdeu ainda mais do que há quatro anos. As extremas-esquerdas locais cresceram ligeiramente. Mas o Vox foi o partido que mais cresceu. De resto nada tem de surpreendente se notarmos que o número de imigrantes na região não para de aumentar. Uma coligação entre PP e Vox parece inevitável, seja no governo regional, seja no parlamento.

O PP ganhou as eleições na Andaluzia pela segunda vez seguida, mas não podemos esquecer que a região foi durante décadas um dos bastiões do PSOE. Este ponto é ainda mais importante por causa da proximidade das eleições legislativas em Espanha, no próximo ano. Muito será decidido na Catalunha e no País Basco, mas se o PSOE perde votos na Andaluzia, não estará nas melhores condições para ganhar as próximas eleições legislativas.

SEGUNDA, 18
Mais ataques de radicais islâmicos contra judeus em Londres

Para quem vive em Londres, é triste e deprimente passar em frente às sinagogas. A imagem que marca é a de polícias fortemente armados para garantir a segurança dos judeus crentes. Hoje, em Londres (a cidade que serviu de refúgio para muitos judeus durante o Holocausto), os judeus não podem rezar sem a proteção da polícia. Nada disto se passa nas igrejas (resta saber até quando), nem nas mesquitas.

Nos bairros onde habitam judeus, no Norte de Londres, grupos de jovens muçulmanos radicalizados andam à procura de judeus sozinhos para os atacar de um modo violento, sejam crianças, mulheres ou velhos. São atacados simplesmente porque são judeus. Os islâmicos radicais trouxeram o antissemitismo de volta para a Europa.

Não me digam que a culpa é das guerras de Israel. Putin iniciou uma guerra na Ucrânia há mais de quatro anos, e não há ataques aos russos que vivem em Inglaterra (e são muitos). O regime chinês prossegue um genocídio contra uma minoria muçulmana no norte da China, e os muçulmanos em Londres não atacam chineses (também há muitos em Londres).

A estratégia do islamismo radical na Europa é muito simples: forçar os governos europeus a deixarem de apoiar Israel e, no limite, oporem-se à sua existência. Pode parecer um cenário muito improvável. Mas, devido à fraqueza dos governos europeus, e do Governo britânico em particular, nada é impossível.

TERÇA, 19
A corrupção chegou agora a Zapatero

O PSOE de Sánchez transformou-se numa associação de suspeitos de corrupção. Os dirigentes do partido mais próximos de Sánchez estão a enfrentar julgamento ou estão presos. O irmão é acusado de corrupção. A mulher é acusada de corrupção. Mas Sánchez não sabe de nada. Pior, ataca a justiça espanhola, acusando-a de estar ao serviço da ‘direita’.

As acusações de corrupção chegaram agora a José Luís Zapatero, antigo líder do PSOE e um dos mentores políticos de Sánchez. Há muito que circulavam rumores sobre negócios ilícitos de Zapatero na Venezuela de Maduro. Mas o Governo espanhol gastar milhões de euros durante a covid para salvar uma companhia aérea da Venezuela é uma história inacreditável. Seria bom que um dia se fizesse uma história dos negócios entre os socialistas espanhóis (e também os portugueses) e o regime de Chávez e de Maduro.

A verdade é que olhando para o que se passa em Espanha com o Governo socialista de Sánchez, é impossível não recordar o que se passou em Portugal com o Governo socialista de Sócrates. Muitos dirigentes do PSOE e do PS gostam de se referir aos dois partidos como ‘partidos irmãos’. Têm toda a razão.

QUARTA, 20
Xi e Putin

De acordo com diplomatas americanos, na Cimeira com Trump, Xi afirmou que «a Rússia se iria arrepender de ter atacado a Ucrânia». Os chineses negaram (tal como Trump), mas mesmo que não o tenha dito, se Xi o dissesse estaria absolutamente certo. O líder chinês mostrou que não se vai envolver no conflito entre os Estados Unidos e o Irão. Mas no caso da guerra na Ucrânia, poderá ter dito a Putin que talvez fosse boa ideia acabar com a guerra, que está manifestamente a correr mal à Rússia.

A China é a maior potência comercial do mundo e, por isso, não gosta da disrupção económica causada pelas guerras. O crescimento económico da China depende das exportações, já que o consumo interno é insuficiente. O pior que poderia acontecer à economia chinesa seria uma recessão mundial. A China ajudou a Rússia a enfrentar as sanções ocidentais e a não perder a guerra. Mas Xi já percebeu que a Rússia também não ganhará a guerra na Ucrânia, por isso o melhor será acabar com a agressão militar.

Apesar da coligação contra o poder americano, e das proclamações sobre a profundidade da relação bilateral, a verdade é que há uma desconfiança visível entre Moscovo e Pequim. Ainda não conseguiram chegar a um acordo sobre o famoso gasoduto entre a Rússia e a China, e já discutem um acordo há mais de quatro anos. Putin também sublinhou «o enorme volume de comércio bilateral». O comércio bilateral entre a Rússia e a China, em 2025, foi cerca de 240 mil milhões de dólares. Em 2025, o volume comercial entre os Estados Unidos e a China foi de cerca de 420 mil milhões de dólares. Mostra a diferença de importância dos Estados Unidos e da Rússia para a maior potência comercial do mundo.

QUINTA, 21
O Governo e os privados na saúde portuguesa

Também há boas notícias, nem tudo é mau. Luís Montenegro inaugurou hoje o novo hospital da CUF em Leiria, numa cerimónia em que esteve acompanhado pela ministra da Saúde, Ana Paula Martins. O PM enviou um sinal claro de uma nova relação com os grupos privados da saúde. O Governo merece aplausos pela coragem e pela falta de preconceitos ideológicos, como aconteceu com os governos socialistas de António Costa que acabaram com as parcerias público-privadas, com casos de sucesso como os hospitais de Braga e de Vila Franca de Xira. O fim das PPP reforçou o caos no Serviço Nacional de Saúde.

Hoje, a saúde dos portugueses depende muito dos grupos privados. Retiram pressão sobre o SNS, e servem milhões de portugueses. Os portugueses querem bons cuidados de saúde, se não for possível no SNS, que seja nos hospitais privados. O Governo sabe isso e valoriza a cooperação com os grupos privados de saúde, os quais também estão abertos para aprofundar essa colaboração, como aliás sempre estiveram. O hospital da CUF em Leiria mostra que o trabalho conjunto entre o Estado e privados beneficia os portugueses. Deve ser assim numa sociedade onde o bem-estar dos cidadãos é a prioridade.