SÁBADO, 23
O PS lidera os estudos de opinião
Os estudos de opinião da Aximage não antecipam resultados eleitorais. Sem eleições no horizonte, os estudos de opinião, e mesmo as sondagens, têm uma importância muito relativa. Mas não são irrelevantes. Antes de mais, mostram que há uma insatisfação crescente com o Governo. Não são boas notícias para a AD, e as suas lideranças devem reflectir sobre isso. As coisas não estão a correr bem ao Governo. Se estivessem, não haveria tanta insatisfação.
Em segundo lugar, os estudos de opinião mais recentes também não trazem boas notícias para o Chega. O aumento da insatisfação com o Governo não está a beneficiar o partido de André Ventura, mas sim o PS. Ventura quer substituir o PSD como o maior partido das direitas. Montenegro quer recuperar votos perdidos para o Chega. Mas a divisão das direitas, os conflitos, os insultos, prejudicam os dois. Nenhum vai ganhar com isso. Montenegro e Ventura deveriam perceber, e rapidamente, que as divisões entre as direitas só beneficiam o PS.
Por fim, José Luís Carneiro tem que ser cuidadoso com o modo como interpreta os estudos de opinião. Sobretudo, deve resistir a tentações. O líder do PS vive com um fantasma: ser o António José Seguro de 2028. Ainda não sabe quem desempenhará o papel de António Costa, mas não faltarão candidatos. Esse fantasma pode levá-lo a provocar uma crise política e olhar para São Bento como o caminho para continuar na Largo do Rato.
DOMINGO, 24
União Europeia recusa mercado único de bens com o Reino Unido
O (ainda) PM britânico sondou Bruxelas sobre a possibilidade do Reino Unido aceder ao mercado único de bens, ou seja construir uma área de comércio livre com a União Europeia. Obviamente, a UE teria que recusar, não pela ideia em si, louvável e apoiada pela maioria dos estados-membros, mas pelo momento da sondagem. Starmer tentou colocar a UE no centro da luta política pela liderança dos trabalhistas. Bruxelas não pode permitir que isso aconteça. Haverá uma cimeira bilateral entre a UE e o Reino Unido em Bruxelas, em Julho. Mas ninguém sabe se Starmer estará presente. Pode ter perdido a liderança do partido ou, o mais provável, estar a lutar para a manter.
Depois, o partido de Farage pode vencer as próximas eleições legislativas. Se isso acontecer, seria altamente provável que Farage rompesse o acordo dos trabalhistas com a UE. Os europeus e os britânicos não podem brincar aos acordos, às saídas e aos regressos.
SEGUNDA, 25
Cinco países da União Europeia querem mais proteção em relação à China
Cinco países da União Europeia, Espanha, França, Itália, Lituânia e Países Baixos, prepararam um documento para discussão onde pedem mais tarifas e a aplicação de instrumentos de defesa comercial contra as práticas económicas abusivas da China, como ajudas de Estado que viciam a concorrência entre empresas chinesas e europeias, e as enormes dificuldades (e cada vez maiores) de acesso dos europeus ao mercado chinês. Estes cinco países pedem à Comissão para ser mais agressiva na proteção dos mercados europeus contra as empresas chinesas. As outras duas grandes preocupações destes países são o poder industrial chinês e o crescente deficit comercial da UE em relação à China.
É muito curioso que este grupo de cinco Governos inclui países grandes e pequenos, do norte e do sul, mais ricos e mais pobres. Estão ainda juntos o país com o Governo mais à esquerda da UE, a Espanha, e o que tem o Governo mais à direita, a Itália. Mostra que existe um amplo consenso na Europa sobre a ameaça comercial da China. O antigo grande mercado para as exportações europeias transformou-se no maior rival industrial dos países europeus. Resta acrescentar o óbvio: os culpados desta situação são os europeus, que adiaram o que deveriam ter feito há anos, não são os chineses, que fizeram o que havia a fazer.
TERÇA, 26
Continua o impasse no Golfo
Há dois pontos claros nas negociações entre os Estados Unidos e o Irão. Nenhum dos lados quer regressar à guerra. Mas as negociações são difíceis e complicadas. Esta combinação aumenta as hipóteses de um acordo, mas as negociações podem ser muito lentas.
Na atual fase de negociações, há uma divergência fundamental. Os Estados Unidos querem, primeiro, um acordo para acabar com os bloqueios marítimos e só depois iniciar as discussões sobre o programa nuclear e sobre as sanções. O Irão quer o levantamento de algumas sanções ao mesmo tempo da abertura do estreito de Ormuz. O que mostra as enormes dificuldades da economia iraniana. A paz será inevitável, mas as negociações podem ainda estar longe do fim. Estamos perante um exercício de paciência. Quem o tempo do seu lado? Em rigor, ninguém sabe.
QUARTA, 27
A polícia foi à sede do PSOE
Os casos de corrupção sobre o PSOE, antigos e atuais dirigentes, sobre o Governo e até sobre os familiares mais próximos de Pedro Sánchez não acabam. Desta vez, a acusada foi Ana Fuentes, responsável pelas finanças do partido.
Esta última acusação não é apenas sobre fraudes financeiras. É muito pior. De acordo com a acusação, o PSOE não só contratou indivíduos para fazerem acusações contra partidos e organizações de direita, como pagou a membros do partido para recorrerem a queixas que atrasassem investigações jurídicas contra o PSOE ou o Governo. Ou seja, esta acusação, a ser confirmada, revela comportamentos contra a democracia espanhola e contra o estado de direito.
Será muito improvável que Sánchez se demita ou marque eleições antecipadas. O PM espanhol é um sobrevivente e tentará resistir até ao fim da legislatura, no verão do próximo ano. Só acontecerá se o caso judicial contra a sua mulher se tornar insustentável.
Em termos políticos, Sánchez só poderá abandonar o cargo de PM se o Vox e os partidos nacionalista basco e catalão votarem juntos, primeiro, uma moção de censura contra o Governo PSOE e, depois, a subida de Feijó a PM. Mas as hipóteses dos nacionalistas da Catalunha e do País Basco votarem ao lado do Vox são muito remotas. O cenário mais provável é a vaidade e a falta de escrúpulos (e de vergonha) de Sánchez afundarem a Espanha em casos de corrupção, no desgaste das suas instituições e da sua democracia, e no aumento das divisões nacionais. Desde 1976, nunca um outro PM fez tanto mal a Espanha.