SÁBADO, 9
O dia da derrota
Este ano, a parada militar na Rússia pareceu mais um dia de derrota do que a celebração da vitória na segunda guerra mundial, ou a ‘grande vitória patriótica’, como se diz na Rússia. Não houve visitantes estrangeiros, não houve espetadores, a marcha militar foi modesta, e Putin parece cansado e gasto. A guerra iniciada pelo Presidente russo em Fevereiro de 2022 parece cada vez mais uma derrota. O que nos planos de Putin seria uma intervenção militar rápida para derrubar Zelensky e colocar no poder um governo pró-russo, transformou-se numa guerra que já dura há mais de quatro anos. O que seria a exibição do poder militar russo, que confirmaria o estatuto da Rússia como grande potência, tornou-se uma demonstração do declínio do poder da Rússia.
Além disso, a guerra desmentiu tudo o que Putin afirmava sobre a Ucrânia. Negava a existência de uma nação ucraniana, e a guerra mostra que o patriotismo ucraniano está bem vivo. Um país que há quatro anos mal tinha um exército, tem agora uma das maiores forças armadas da Europa e desenvolveu uma indústria de defesa notável. Essa indústria de defesa permite levar a guerra para o território russo. A guerra deixou de ser uma guerra na Ucrânia e passou a ser também uma guerra na Rússia. Putin não conseguiu conquistar a Ucrânia e não consegue defender a Rússia. Putin não sabia, mas no dia que decidiu invadir a Ucrânia iniciou o caminho para o seu fim político.
DOMINGO, 10
O capitalismo sueco
A Suécia deve ser o país onde o centro-esquerda mais tempo governou desde 1945. Em 80 anos, esteve cerca de 60 no governo. Durante os 45 anos da Guerra Fria, esteve cerca de 40 anos no governo. No início dos anos de 1990, os serviços sociais suecos eram um exemplo para a Europa, mas a carga fiscal era muito elevada e o país estava estagnado economicamente. Os impostos estavam bem acima dos 50%, a despesa pública cresceu, acumularam-se défices, a dívida pública aumentou, chegando a 70% do PIB, e no início da década de 1990 aconteceu uma enorme crise económica e financeira.
Hoje, a situação na Suécia mudou quase radicalmente. Metade das clínicas de saúde são privadas. Um terço das escolas secundárias são privadas, e há empresas de educação cotadas na bolsa. Estas mudanças permitiram reduzir a despesa pública, a carga fiscal, mantendo a excelência dos cuidados de saúde e da educação. Os gastos públicos com a educação, saúde e outros benefícios sociais (como subsídios para a habitação e para os desempregados) são cerca de 24% do PIB. Em Portugal são quase 40% do PIB. O défice está controlado e a dívida pública é 36% do PIB.
As reformas nas políticas sociais são, em grande medida, resultado da direita ter governado cerca de 15 anos desde 1991. Há, obviamente, críticos das reformas sociais, mas encontram-se sobretudo na extrema-esquerda. Os sociais-democratas (equivalente ao PS em Portugal) não têm combatido as reformas da direita, como também têm contribuído para a sua implementação. Há um consenso na Suécia sobre as virtudes do setor privado na educação e na saúde e sobre a necessidade de diminuir a despesa pública e os impostos.
As reformas das últimas décadas também tiveram um efeito positivo na economia. O crescimento económico na Suécia será cerca de 2% ao ano até 2030, o que no contexto europeu é positivo, por exemplo a Alemanha e a França deverão crescer uma média de 1% ao ano até 2030. Hoje, a Suécia é um país que valoriza a economia de mercado, e estimula e premeia a iniciativa privada. É um país com grandes empresas, exportador, aberto ao investimento externo, com um setor financeiro pujante, com o setor digital mais avançado da Europa, e onde os fundos de pensões investem no setor privado, beneficiando os pensionistas e o crescimento económico. Nos estudos de opinião na Europa, os suecos são juntamente com os polacos os maiores defensores do capitalismo.
SEGUNDA, 11
O abuso dos fundos europeus pelo Governo espanhol
O tribunal de contas de Espanha afirma que o Governo gastou cerca de 10 mil milhões de euros dos fundos europeus do PRR para cobrir custos com a segurança social. O Governo não nega o uso, nega que seja contras as regras europeias. Obviamente, é contra as regras do PRR, que são muito claras: os fundos devem ser gastos nas transições digital e de energia. Não inclui a segurança social. A Comissão Europeia aceita o uso dos fundos na segurança social por razões políticas. Precisa do apoio dos socialistas no Parlamento Europeu e a primeira vice-presidente da Comissão é espanhola e socialista. Mas os deputados do PP no Parlamento Europeu não se vão calar e ainda estamos longe do fim de mais um caso a envolver Pedro Sánchez.
Mas há um problema maior. No momento em que se discute o aumento do orçamento comunitário e a emissão de mais dívida comum europeia, o Governo socialista espanhol dá argumentos fortes a todos os que nos países do norte da Europa combatem as obrigações europeias (eurobonds). Mais um caso e que as fraudes socialistas se viram contra as políticas europeias. Os socialistas são cada vez mais como os Bourbons: não aprendem nada, e não esquecem nada.
TERÇA, 12
Os prejuízos da RTP e os aumentos dos ordenados
Outro caso do socialismo no seu pior. Em 2024, a RTP sofreu um prejuízo de cerca de 4 milhões de euros. Apesar disso, os salários dos membros do Conselho de Administração receberam aumentos de 18% em 2025. Os membros do Conselho de Administração ganham mais de 300 mil euros por ano numa empresa que dá prejuízos.
Isto significa que os membros do Conselho de Administração não só são incompetentes, como não têm vergonha alguma. Mas, pior de tudo, gozam com os contribuintes portugueses que pagam os seus ordenados e os prejuízos da RTP.
Se os membros do Conselho de Administração da RTP tivessem um mínimo de respeito pelos portugueses, e não pensassem apenas no dinheiro que ganham, não teriam aceitado os aumentos de salários ou demitiam-se por incompetência. Se o Estado tivesse respeito pelos portugueses, e pelos impostos que pagam, privatizava a RTP ou fechava-a. Os custos da RTP já ultrapassam largamente os seus benefícios, e há muito tempo.
QUARTA, 13
‘Trump goes to China’
A mensagem principal dos encontros entre Trump e Xi será: mais estabilidade e menos volatilidade nas relações bilaterais. Os Estados Unidos e a China, neste momento, partilham o interesse de continuar uma détente económica. Nenhum dos lados quer uma guerra comercial. A economia americana já está a sofrer com os custos da guerra no Golfo. A China precisa de exportar para manter o crescimento económico.
Paralelamente, haverá alguns acordos como mais exportações americanas para a China, produtos agrícolas e aviões, e possivelmente investimentos chineses nos EUA, nomeadamente fábricas de carros elétricos. Trump e Xi podem também criar um processo de consultas e negociações económicas e comerciais bilaterais.
A grande dúvida diz respeito a Taiwan e ao Golfo. Haverá um acordo bilateral no qual Trump diminui o apoio a Taiwan em troca da China pressionar o Irão a abrir o estreito de Ormuz?