Os tempos de um mundo louco

Não conseguimos adivinhar o que vai na cabeça de Trump, nem para que lado vai estar a sobrar o vento depois destas conversas e do que os ‘falcões’ o tentarão levar a fazer. Percebemos que o Mundo está mais perigoso. Que as nossas vidas tranquilas se podem transformar rapidamente e as nossas sociedades gastem o orçamento em armas deixando o resto para trás, em nome da nossa segurança.

Não volto a negociar!

Se não voltarem às negociações vou destruir tudo!

Não aceito a cobrança de qualquer portagem no estreito!

Vou aplicar uma portagem no estreito!

Afinal, já não vou aplicar portagem no estreito e os países da região vão investir nos EUA!

Países do Golfo negam investimentos nos EUA.

Os títulos das notícias e dos constantes posts em redes sociais não nos deixam sequer tempo para digerir tudo e o seu contrário. Percebemos apenas que a gasolina continua a subir, tal como os juros do crédito habitação e um pouco de tudo e que a nossa vida se pode complicar muito rapidamente porque o Mundo está assim, ao sabor de ventos que ninguém entende.

A gasolina sobe rapidamente sempre que o petróleo aumenta, logo no dia a seguir, mas descer é coisa ‘pluma’, porque os efeitos não são imediatos. Como é que para subir tudo é imediato e a descer, temos de aceitar que as petrolíferas e a distribuição ganhem rios de dinheiro e nos apliquem uma nova tarifa?

O Governo português faz a pergunta, tímida, mas vamos ver se tem coragem de desmascarar o negócio.

A Europa segue todo o intrincado cenário no Médio Oriente sem nenhuma capacidade de influenciar os Estados Unidos e o Irão a um sério processo negocial. Trump não vai assumir a derrota e sabe que os custos de uma guerra serão sempre menores que uma saída sem honra deste conflito, que lhe continua a correr muito mal. Israel volta à pressão e Netanyahu vai de novo aos Estados Unidos ensaiar o que conseguiu na última viagem; uma decisão militar em força para derrubar o regime de Teerão.

Será que a Casa Branca vai voltar a acreditar na história e entrar numa outra escalada desta guerra?

Não conseguimos adivinhar o que vai na cabeça de Trump, nem para que lado vai estar a sobrar o vento depois destas conversas e do que os ‘falcões’ o tentarão levar a fazer.

Percebemos que o Mundo está mais perigoso. Que as nossas vidas tranquilas se podem transformar rapidamente e as nossas sociedades gastem o orçamento em armas deixando o resto para trás, em nome da nossa segurança.

A China é poder emergente que está claramente a manobrar nas sombras e a aproveitar tudo isto para aplicar a sua moeda nos grandes negócios, enfraquecendo a América e a Europa na mesma penada.

A até aqui efervescente economia dos países do Golfo está parada e os efeitos serão devastadores na zona, se a crise se prolongar. Estes estados, como os Emiratos e a Arábia Saudita têm um forte poder de moldar as decisões de Trump, que entende muito bem os argumentos do dinheiro.

O Tempo não corre a favor da América e a Casa Branca parece não entender isso. O mais dramático e que todos estamos a ser arrastados pera este lamaçal, que se vai tornar num pântano, de onde não sabemos mesmo como sair.

A passividade da opinião pública global perante tudo isto é verdadeiramente assustadora. Seguimos cantarolando num autocarro desgovernado como o motorista a gritar que não tem travões e que ali ao findo há um precipício, mas o barulho da música não deixa ninguém ouvir nada.

As lideranças europeias nada ajudam. Preferem também ignorar, tendo uma fé imensa em que nada vai acontecer de grave e que tudo isto se resolve com o tempo, sem decisões, nem posições de força. Apenas Espanha levantou a voz, mas pouco foi ouvida e até violentamente criticada.

Nas democracias, tudo isto depende de nós e das nossas decisões.

Será que o mundo democrático vai perceber isto a tempo?