Fazemos sempre esta pergunta a cada crise, mas a resposta acaba por fazer ganhar o tempo de nos esquecermos da fraqueza dos argumentos que nos impingem, até à próxima crise.
Até Donald Trump faz a pergunta, em jeito de ameaça às petrolíferas, mas vamos ver que resultado vai ter.
Vários analistas dos mercados vão avisando que dificilmente os combustíveis voltarão aos preços pré-guerra nos próximos tempos.
Há os acertos dos chamados mercados e lá vem a conversa de que a descida do petróleo ainda não se reflete nos produtos refinados.
Vamos fingir que acreditamos, mas lá vem a pergunta fatal;
Então porque é que a subida brusca e forte é logo no dia a seguir a qualquer oscilação dos preços do mesmo petróleo no mercado internacional?
A ministra do Ambiente de Portugal também fez esta segunda pergunta, mas não conhecemos nenhuma ação eficaz para tornar tudo isto mais justo e transparente.
Em cada crise, as empresas petrolíferas somam lucros astronómicos e nesta crise já sabemos que não ser exceção. Veremos os números no final do ano e cá estaremos para nos escandalizar com os resultados que vão apresentar.
Mas se é sempre assim, mesmo respeitando o mercado livre, porque é que não é possível uma intervenção mais séria que permita aos consumidores não serem extorquidos a cada oscilação do petróleo?
Como agora mexe com a economia da América e com a necessidade de Trump ter mesmo um bom sinal para os consumidores, pode ser que isto seja ligeiramente diferente.
A pesada carga fiscal sobre os combustíveis não ajuda nada os consumidores, mas é o garante de uma boa receita para os Governo e Portugal bem precisa desse dinheiro para tentar equilibrar as contas e ter um défice curto, mas com esta volatilidade dos mercados, seria prudente pensar numa nova formula nos impostos para garantir alguma estabilidade às empresas e às famílias.
Obviamente, o futuro passa por outras fontes de energia, menos poluentes, mas também mais previsíveis.
O executivo de Luís Montenegro anunciou já um novo pacote de apoios nesta área, para carros elétricos e painéis fotovoltaicos. Já o escrevi aqui, o apoio às famílias para terem uma maior independência energética com um apoio honesto e sério no autoconsumo, faria toda a diferença nas necessidades do país e nas contas lá de casa, que são tão penalizadas pela fatura da luz e da gasolina.
Seria uma mudança estrutural e mesmo cultural, mas implica reduzir os mercados das ‘gulosas’ distribuidoras de energia que nem querem ouvir falar de semelhante coisa.
Para as famílias a poupança seria brutal.
Esta ideia passa também pelos condomínios que se podem organizar para aproveitar o sol e o vento, e já há vários projetos a funcionar com uma rentabilidade fantástica. Somos um país com muito sol e vento e basta querer aproveitar em pleno um recurso que não tem custos. Está ali, todos os dias à nossa disposição. Basta querer e ter um plano envolvente para isso.
A construção de fraca qualidade é outro dos fatores que leva ao aumento da fatura energética. Vagas de calor e o frio do inverno, desequilibram facilmente as contas de uma casa que não foi desenhada e construída a pensar nas pessoas, com respeito. Janelas sem isolamento, telhados inapropriados, paredes sem tratamento térmico são uma constante nas cidades e vilas. Tem aumentado a consciência da necessidade de ter melhores habitações, mas o histórico de edifícios muto mal-amanhados é brutal e serão precisos muitos anos para se ter um novo paradigma. As alterações climáticas vão forçar esta mudança, com muitas casas a tornarem-se inabitáveis perante as vagas de frio e calor.
O dinheiro do fim do mês tem de chegar para tantas coisas importantes e era tão bom que a energia não fosse uma das fatias de leão. Quem é que não preferia gastar mais em qualidade de vida, lazer e viagens, em vez de pagar sempre uma gigantesca fatura de luz e gasolina?
Temos mesmo de conseguir fazer as contas de outras formas e deixar de gastar desnecessariamente o apertado salário em tanta energia.
Não faltam soluções, mas é preciso vontade, muita vontade.