Nas sociedades de hoje o jornalismo tem ganho uma responsabilidade acrescida, perante a fácil comunicação nas redes sociais e o crescimento de narrativas que verdadeiramente elegem presidentes e formatam governos e o destino de pequenas e grandes nações, sempre longe da realidade, mas capazes de enganar e arrastar multidões de fiéis seguidores.
São os jornalistas que fazem as perguntas incómodas, mesmo perante a resposta em insulto dos protagonistas. E voltam a fazer a pergunta, investigando e apresentando a verdade aos seus leitores e telespetadores. Foi assim que o mundo percebeu que as guerras não se acabam em dois dias, que os negócios moldam princípios e certezas, que afinal um ditador da Coreia do Norte pode até ser considerado simpático e digno de ter uma bomba nuclear.
Sem as perguntas dos jornalistas que narrativa teríamos hoje do mundo?
Seria normal aceitarmos, sem pestanejar, que a América esmagou o Irão e ganhou a guerra e que está tudo bem, sendo o valor da gasolina o preço a pagar para uma ditadura não ter uma arma nuclear. Foi tudo perfeito e a grande América voltou a esmagar quem discorda do chefe.
Que Israel respeita os direitos dos palestinianos e afinal não está a ocupar a Cisjordânia e a dizimar aquele povo. Mata apenas terroristas e até tem um embaixador em Portugal que prova isso em discursos nas redes sociais onde até os jornalistas do estado que o acolhe são alvo desta narrativa, que desmente os factos condenados pelo próprio Governo português.
Que a Rússia já tomou praticamente toda a Ucrânia e que falta pouco para fazer tombar Kiev.
Ou que Kiev tem tanto poder que vai render Putin a uma saída da Crimeia e dos territórios que já ocupou.
Ou na prata da casa, que tudo o que Luís Neves fez foi completamente transparente e que são os malvados jornalistas que resolveram fazer uma perseguição sem sentido.
Ou que o caso das fragatas não merece perguntas porque tudo é perfeitamente transparente.
Basicamente, o mundo parceria perfeito. O problema é a realidade.
Os portugueses sabem bem como foi o processo dos exames e não adianta criar narrativas nem dizer que as notícias desagradáveis são ‘uma nova censura’. A realidade foi aquela testemunhada por milhares de famílias.
Sabemos todos também que a guerra com o Irão não acabou e que cada dia as coisas ficam piores, sem entendermos bem porque é que Trump nos foi meter nesta embrulhada.
Pagamos duramente isso todos os dias e vamos pagar mais.
O Caso Luís Neves, sabem também os portugueses, levanta milhões de dúvidas e sem o jornalismo nada disto se saberia e o mundo informal correria lindamente, mesmo que isso estivesse para além das leis e do aceitável. Tudo aquilo que tem lido aqui no SOL e visto na TVI e na CNN Portugal, seria desconhecido, mas teria mesmo acontecido. A diferença é que sem jornalistas, não se saberia de nada.
Esse mundo, sem os jornalistas, chama-se ditadura. Portugal já experimentou e há quem tenham tantas saudades dos dias do lápis azul e das notícias que não eram publicadas e das perguntas combinadas aos governantes, feitas apenas por quem seguia a linha do governo. Há países assim. Por exemplo, a agora tão amada Coreia do Norte ou a pujante China. Os portugueses querem isso? Preferem ser escandalosamente enganados por quem controla toda a informação que lhes é servida, depois de devidamente controlada?
Serve esta reflexão para o deixar a pensar, se tiver a paciência de me ler, depois de comprar o SOL.
Que mundo, que país teríamos sem esta inquietação do jornalismo livre que não se contenta com a resposta tímida e quer saber mesmo tudo?
Imagine lá um bocadinho com os muitos casos do dia, alguns a mexerem significativamente no seu bolso, como este estudo das reformas, que afinal, algumas perguntas depois, não serve para nada e nada vai mudar. Será?
Não são os influencers ou as redes sociais a questionar os decisores sobre o que nos vai acontecer a todos, na hora de termos ou não termos uma reforma. Mas os jornalistas estão cá para isso.
E os exames? Se não tivéssemos perguntado? As coisas tinham sido corrigidas tão rapidamente e efetivamente tudo se faria para ninguém sair prejudicado? Ou haveria uma saída airosa, tipicamente portuguesa e o assunto ficaria debaixo de uma pedra, em que ninguém nunca iria tropeçar.
Não vivemos numa nossa censura, embora nem tudo vá bem com o jornalismo, mas isso é outra conversa.
Quem ataca os mensageiros procura sim criar um outro efeito. O medo, a autocensura, a limitação de investigar temas mais quentes. Esse é o objetivo de quem grita e aponta o dedo.
Cabe à opinião publica fazer a sua parte, escolhendo o jornalista livre, estando atentos às campanhas de desinformação. Há um poder supremo de cada um de nós; ter o comando da TV na mão e escolher o canal e ir à banca dos jornais e fazer opções.
Nestes dias, só é enganado quem quer.