quinta-feira, 10 set. 2026

Requisitos para Lecionar em Universidades Progressistas

Diversidade, Equidade e Inclusão é um conceito que encaixa na Novilíngua do Orwell. Todos não significa todos. Significa apenas alguns. A DEI é uma espécie de tautologia auto-explicativa. Dito de outra forma, a DEI rege-se pelas regras rigorosas da aldrabice

O nível de exigência académico, intelectual e ético para ser professor em universidades progressistas está cada vez mais elevado. Mas, se dantes era necessário ter doutoramentos, publicar artigos científicos e livros, participar em conferências, ter experiência de ensino, enfim, produzir conhecimento, agora a exigência é outra. Como Jason Arday e Farah Ahmed demonstraram, é possível dispensar essas maçadas académicas e apresentar currículos alternativos.

O primeiro requisito académico é ser um aldrabão sem vergonha.

Ainda que não se tenha concluído o ensino primário, inventa-se um currículo composto de artigos e livros que nunca existiram, participações fantasma em palestras reais e imaginárias, ter sido professor em universidades onde nunca se pôs os pés e outras fantasias intelectuais. A única coisa que realmente existe é uma tese de doutoramento – obviamente plagiada. Contudo, este castelo de charlatanice só se aguenta em áreas do conhecimento que se alimentam dos mesmos pressupostos científicos. Ou seja, é necessária uma osmose intelectual onde a aldrabice flui livremente de um lado para o outro, revigorando-se, mas conceitos como objectividade, rigor e verdade são filtrados.

Estamos, pois, a falar de áreas científicas como a Teoria Crítica da Raça, a Teoria do Género, os Estudos Pós-Coloniais, a Interseccionalidade, os Estudos Anticapitalistas, a Matemática Racista, o Animalismo, o Tarot, ou qualquer outra ciência onde se possa encontrar uma vítima do homem branco.

Outro excelente requisito académico é odiar o Ocidente, a Liberdade, a Democracia e os Direitos Humanos.

O Ocidente é a causa de toda a opressão que existe no mundo e, como tal, é preciso destruí-lo. Autores brancos, pintores brancos, músicos brancos, realizadores e cientistas brancos (judeus incluídos), todos eles devem ser devidamente contextualizados como tendo produzido obras, ideias e invenções que perpetuaram o domínio ocidental sobre os outros povos. Assim sendo, devem ser retirados dos currículos. Um, ou uma, académico (a) que defenda esta defenestração de pensadores brancos é altamente valorizado por reitores brancos ainda não defenestrados. Estes, como se sentem culpados do seu privilégio de raça, precisam que alguém os insulte e humilhe. Na verdade, a humilhação não basta. É mesmo necessário que a sua vida fique em risco para a expiação ser verdadeira. Daí, também apreciarem que o académico aldrabão que odeia o Ocidente dê mais um passo neste frenesi de ódio: o apoio a grupos terroristas. Se possível, terroristas que já tenham matado muita gente e até ameacem pôr uma bomba na própria universidade. Só não convém chamá-los pelo nome, Terroristas – ainda não soe bem -, mas sim Combatentes pela Liberdade. No combate pela liberdade, vale tudo, especialmente matar brancos.

Feitos desportivos imaginários como ter derrotado Roger Federer por 6\0 6\0, ser o recordista do mundo de salto à vara e deter o recorde de afundanços na NBA também são valorizados. Ainda que qualquer pessoa possa refutar estas proezas mentirosas, nesta altura do desfile académico ninguém se atreve a dizer que o rei vai nu – não há crianças na universidade. E estes reizinhos ou rainhazinhas acabam por se convencer de que a sua nudez é um manto de veludo escarlate com gola de pele de arminho.

E assim temos um professor universitário altamente qualificado pronto para destruir não só a cultura ocidental, mas a própria Civilização. Melhor do que isto, só nas madraças do Afeganistão.

Porém, os currículos alternativos não são para todos.

Diversidade, Equidade e Inclusão é um conceito que encaixa na Novilíngua do Orwell. Todos não significa todos. Significa apenas alguns. A DEI é uma espécie de tautologia auto-explicativa. Dito de outra forma, a DEI rege-se pelas regras rigorosas da aldrabice. É por isso que o sistema é tão perfeito e funciona tão bem. Uma mentira explica a outra, e assim sucessivamente, até alguém conseguir encontrar uma verdade qualquer e gritar Eureka.

Assim, homens brancos heterossexuais, cristãos e judeus, estão excluídos – a tal exigência progressista. Tal como o currículo académico não lhes serve para nada, também um possível currículo de aldrabice, apoio ao terrorismo e aniquilação de Israel de pouco lhes servirá. Porque há centenas de outros candidatos de outras raças, religiões e orientação sexual a defender o mesmo – cada vez há mais. Logo, é muito mais genuíno o apoio de uma mulher árabe ao Hamas ou ao uso de burkas do que o de um privilegiado branco que, de vez em quando, coloca um lenço palestiniano ao pescoço e se junta a uma manifestação contra o Ocidente. As universidades, com a sua imensa sabedoria, desconfiam destes cristãos novos que odeiam a sua civilização. Suspeitam que são uns Marranos que penduram alheiras de frango nas portas para enganar a nova Inquisição.

Portanto, caro leitor, se não é branco e sonha com uma carreira académica numa universidade progressista, comece a preparar o seu futuro. Invente um currículo com as mais descabeladas mentiras que lhe venham à cabeça: teses e artigos científicos a eito, ter escrito vinte livros pelo menos, sido consultor da ONU, tomado chá com Guterres, ter ido numa flotilha qualquer. Depois, escreva no Facebook «morte a Israel», «o Ocidente deve pagar indemnizações a África», «o sexo biológico foi inventado pela Igreja Católica», «mais dois anos de Capitalismo, e o mundo acaba», etc. Por fim, entre numa destas universidades, vá directo ao gabinete do reitor, abra a porta à patada, acuse-o de ser um privilegiado branco culpado da escravatura e que a única forma de se redimir é contratá-lo, imediatamente, para dar aulas – qualquer disciplina sem Matemática serve.

Muito provavelmente, começa a leccionar em Setembro.