terça-feira, 18 ago. 2026

Marroquinos na piscina de Luís Neves

O Livre e o Bloco de Esquerda disseram que havia uma crise humanitária provocada pelo capitalismo liberal, pelas conquistas do norte de África de Afonso V e por Israel, alertaram para o aproveitamento da extrema-direita, os perigos do discurso do ódio e da islamofobia.

Depois da invasão de Ceuta, milhares de jovens marroquinos, vindos em botes, colchões e câmaras de ar, desembarcaram nas praias do Algarve. Os algarvios e os ingleses fugiram para as suas casas e trancaram-se; os donos de lojas e restaurantes compraram armas e barricaram-se. O PM Luís Montenegro disse que estava muito preocupado, que estava a acompanhar atentamente a situação e pediu calma aos portugueses. O Ministro dos Negócios Estrangeiros Paulo Rangel disse que Portugal iria manter-se firme e continuar com as suas políticas migratórias de acordo com as regras europeias. O Ministro da Administração Interna Luís Neves andava à procura de facturas e não deu por nada.

No Chega, André Ventura falou em invasão moura e na necessidade de uma reconquista cristã. Como tal, as forças armadas deveriam proceder como num cenário de guerra – atirar a matar, caso os invasores não se rendessem.

No PS, José Luís Carneiro culpou Montenegro pelo sucedido e pediu a demissão do Governo.

O Livre e o Bloco de Esquerda disseram que havia uma crise humanitária provocada pelo capitalismo liberal, pelas conquistas do norte de África de Afonso V e por Israel, alertaram para o aproveitamento da extrema-direita, os perigos do discurso do ódio e da islamofobia. Assim, o mais importante era prestar apoio psicológico aos marroquinos, garantir que podiam continuar a fazer as suas cinco orações diárias e que não lhes faltava chá de menta e couscous de borrego. Além disso, era necessário fazer uma revisão curricular da disciplina de História que associasse os Descobrimentos a esta, e a todas as desgraças, que envolvessem imigrantes africanos.

O PCP disse que no tempo do Muro de Berlim estas coisas não aconteciam.

Entretanto, os marroquinos avançaram para Norte e as posições políticas começaram a mudar.

Cerca de 30 marroquinos conseguiram chegar a Odemira e, sabe-se lá como, acabaram na propriedade de Luís Neves. Como não estava lá ninguém, o caso só foi descoberto porque os marroquinos filmaram-se na famosa piscina e colocaram vídeos nas redes sociais com comentários como: «isto, sim, é qualidade de vida». Mal soube da invasão da sua piscina, Luís Neves rasgou de uma assentada 50 facturas. Um grupo de intervenção da GNR com 100 militares, armados até aos dentes, foi destacado para o local. Os marroquinos tentaram argumentar que só estavam a apanhar sol, mas mesmo assim levaram umas bastonadas, foram presos e deportados horas depois.

Outros marroquinos conseguiram chegar a Lisboa e, depois de algumas pesquisas de restaurantes nos seus iPhones, concluíram que o Café Central das manas Mortágua era uma boa escolha. Quando os viram entrar, as manas Mortágua empalideceram. Mas depressa recuperaram do susto e, depois de alguns abraços solidários, disseram aos marroquinos que ali estavam protegidos do colonialismo, de Israel e dos descendentes de Afonso V. Os marroquinos aproveitaram a simpatia e, como estavam esfomeados, decidiram experimentar todos os pratos. E estava tudo realmente delicioso. Top. Porém, no final do repasto surgiu um pequeno problema. Com não tinham trazido euros e os cartões de crédito tinham-se perdido no mar, seria possível pôr na conta? Na conta de quem? Na vossa? – perguntaram as manas. Na nossa? Ora essa, então não vêem que somos refugiados? Onde está a vossa solidariedade? Onde está o vosso humanismo? Ponham na conta do vosso Governo, da União Europeia, da Madame Le Pen, tanto faz. Alguém há-de pagar! As manas retiraram-se para a cozinha, conferenciaram uns segundos e chamaram a polícia.

Ao saber do sucedido, os dirigentes do Livre, Rui Tavares, Rui Tavares e Rui Tavares, começaram por mudar as fechaduras dos seus apartamentos e instalar câmaras de videovigilância. Depois, mais tranquilos, interrogaram-se sobre que posição teriam tomado, caso o projecto dos supermercados estatais tivesse sido concretizado, se uma vaga destes marroquinos os saqueasse. Condenava-se o acto? Justificava-se? Mandava-se a conta para a União Europeia e a Madame Le Pen? Felizmente, essa grande ideia não passou disso mesmo. Quanto ao Pingo Doce e ao Continente, esses, sim, podiam saqueá-los à vontade.

Duas semanas depois, a maioria dos marroquinos foi deportada, mas duas centenas conseguiram ficar em Portugal. Há quem garanta que alguns estão a trabalhar, com salários baixíssimos e sem protecção social, na zona de Odemira e nalguns restaurantes chiques de Lisboa.