Causou polémica a afirmação da comentadora da SIC, Maria João Tomás, de que Jesus era «palestino». Na língua portuguesa, dizer que um palestiniano é «palestino» equivale a designar um francês como ‘franço’, ou um português como ‘portuga’. Mas não se pode exigir que uma professora universitária domine a própria língua. Sobretudo quando domina algo muito mais importante: a solução dos problemas mundiais.
Se doravante considerarmos que Jesus não só era «palestino», como ainda islâmico, deixa de haver terrorismo, ataques a presépios, cancelamento do Natal e caos nos aeroportos. De uma penada, com uma entorse na gramática, alguns anacronismos e lógica dos irmãos Marx, o mundo fica melhor.
Porque, se Jesus no século XX era comunista, no século XXI poderá ser crente de qualquer religião que não o Judaísmo e o Cristianismo, ativista climático, defensor das minorias sexuais, revisionista histórico e vegan. Além disso, a cada nova descoberta sobre a sua vida, Jesus fica mais escuro e menos homem. Tudo indica que, em breve, se descobrirá que o Messias era, afinal, uma negra lésbica.
Eis os novos factos sobre este «palestino».
Jesus foi crucificado por ter protestado contra as centrais nucleares romanas, as emissões poluentes das suas fábricas de armamento e o consequente aquecimento global. É assim que deve ser interpretado o milagre de caminhar sobre as águas. Se dantes se falava no reforço da autoridade divina e na importância da fé, agora torna-se claro que Jesus estava a demonstrar o aumento do nível das águas causado pelos romanos. E também foi por isso que Pedro, um negacionista climático, se afundou logo.
Outros milagres mal interpretados foram as suas curas de paralíticos, cegos, doentes mentais e até a ressurreição de Lázaro. Aqui o alvo eram as farmacêuticas romanas, incapazes de curar aquelas doenças e devolver a vida aos mortos. É a fé que cura e não os medicamentos obtidos à custa do sofrimento de animais – entenderam os fiéis. Nesse dia, as ações da indústria farmacêutica romana fecharam em queda.
Por outro lado, no Sermão da Montanha, quando Jesus diz «Não Julgueis, Para Que Não Sereis Julgados» está a condenar as perseguições à comunidade LGTB judaica, ‘palestina’ e até romana. Ora Pôncio Pilatos, tal como J. Edgar Hoover, era um homossexual escondido no armário que perseguia gays, lésbicas e transexuais para desviar as atenções. Por alguma razão, o homem usava um saiote e pintava as unhas.
Com tudo isto somado, como poderiam os romanos não deixar de crucificar o ativista Jesus? E o lavar de mãos de Pilatos serviu para mostrar a futura natureza genocida dos judeus. Portanto, Jesus é uma vítima do império capitalista romano, assim como o primeiro mártir ‘palestino’ às mãos dos judeus. Se fosse vivo, condenaria a captura de Maduro ou um ataque ao Irão; e votaria em Seguro.
Por fim, descobriu-se ainda que Maria Madalena é a tetravô de Greta Thunberg, Judas é bisavô de Trump, São Paulo era tratado por Paula na intimidade e o sangue na túnica do quadro O Martírio de São Sebastião resulta de uma menstruação.
Bem-aventurados os pobres de espírito porque será deles o reino dos céus e da comunicação social.
Escritor