A Europa está dominada pelo Fascismo. Como se não bastasse a fascista Meloni, aqueles húngaros fascistas que se perpetuam no poder, a católico-fascista Polónia e o fascista Passos Coelho à espreita, a socialista Mette Frederiksen também vestiu a camisa negra – e lingerie a condizer. Só Pedro Sánchez, com a sua ética republicana e elevados valores morais, apoiado numa ONG que em tempos foi a ETA, nos salva desta desgraça.
Se no tempo de Mussolini o Fascismo era uma ideologia totalitária, nacionalista, corporativa e antiliberal, o atual Fascismo é algo diferente. Não é bem totalitário porque aceita eleições livres, deixou de ser corporativo e passou a ser liberal. Da versão original, só lhe resta o nacionalismo. Por isso, como faltavam tantos fanicos na ideologia foi necessário ir buscar outros e remendá-los numa nova camisa negra assustadora.
Eis uma definição atualizada de Fascismo no século XXI: ter orgulho nos Descobrimentos; opor-se ao pagamento de indemnizações pela escravatura (com a agravante de afirmar que os árabes foram os maiores traficantes de escravos); defender a publicação de autores racistas como Camões, Shakespeare e Eça de Queirós, ou de obras islamofóbicas como Os Três Porquinhos; considerar que é a Biologia que define o sexo e não a opinião pessoal; não ter vergonha de ser homem branco heterossexual; oferecer bonecas às filhas; não oferecer bonecas aos filhos; não incentivar os filhos a mudar de sexo; defender a revisão do código laboral; questionar a emigração; fazer perguntas sobre o aquecimento global; aceitar que Israel tem o direito de existir; não ter uma vaga simpatia pelo Irão; não ver nas burcas um símbolo de riqueza cultural; não compreender que quem desenhar Maomé merece ser morto; criticar Pedro Sánchez.
Ora como se vê, hoje em dia é praticamente impossível ter uma ideia de onde não emerjam as brumas do Fascismo. O Fascismo tem a particularidade de ser omnipresente e pluriforme. As pessoas que borrifam Fascismo para todo o lado são muito criativas. Existes, logo podes ser fascista. Desde o comentário nas redes sociais à escolha das cuecas, podemos estar a fazer o jogo da Extrema-Direita. Num mundo onde o Fascismo se pode esconder na Macaca (ofende macacos) e no Macaquinho do Chinês (ofende chineses e de novo macacos), só os que apontam o dedo estão a salvo. Logo, como não convém deixar de existir, o melhor é deixar de pensar. Há muita gente esclarecida a fazer esse trabalho. Basta repetir o que eles dizem. Curiosamente, os antigos fascistas afirmavam o mesmo.
Mas, atenção incautos, é preciso distinguir o trigo do joio. Anda por aí muito jornal, muito jornalistazeco, muito cronista dissimulado a usar camisas e cuecas negras. E é por isso que a Democracia só pode combater o Fascismo recorrendo a uma das suas armas: a censura. Basta dar-lhe outro nome: leis contra o discurso do ódio.
Escritor