O Islão é um modo de vida. É uma religião que defende a igualdade entre credos, a justiça e a responsabilidade de cada indivíduo perante Deus e perante a comunidade e o país onde vive. Não prega a superioridade de uns sobre outros, mas a responsabilidade de cada um pelos seus atos e pelo bem comum.
Em Portugal, somos portugueses e somos europeus. Vivemos em harmonia há vários anos e assim continuará a ser.
A onda de divisionismo artificialmente criada contra o Islão por movimentos obscuros tem como único objetivo contaminar a sociedade com o vírus do ódio e do medo.
A retórica venenosa desses protagonistas aponta constantemente o dedo aos muçulmanos, acusando-os de não saberem viver em comunidade. É uma mentira. E uma mentira perigosa, que brota da ignorância e do preconceito.
Como qualquer português com um mínimo de conhecimento histórico sabe, a presença e a civilização islâmicas foram uma componente importante da formação intelectual, cultural e científica da nação. Portugal tem uma identidade construída pela sobreposição de diferentes camadas, não pela ideia de pureza. O contributo muçulmano não precisa, por isso, de ser apresentado como um elemento externo, mas antes como uma das camadas históricas que ajudam a explicar o país que hoje somos.
Sem o legado árabe e islâmico, não teríamos grande parte do nosso vocabulário, da nossa agricultura, da nossa arquitetura e de uma parte importante da nossa herança científica.
Quererão os profetas da ignorância censurar as palavras dos nossos dicionários com a mesma facilidade com que querem expulsar tudo o que é diferente, sob o habitual ‘vai para a tua terra’?
Quererão subtrair às nossas escolas o ensino da matemática e da álgebra e substituí-lo pela sua própria ciência da demagogia?
Visigodos, romanos, árabes, judeus, católicos – todos deixaram a sua marca e todos contribuíram, de formas diferentes, para aquilo que hoje chamamos Portugal. O país é esta soma. Não é a subtração que alguns querem impor.
Existem cerca de 1,6 mil milhões de muçulmanos espalhados por sociedades de todo o mundo, do Ocidente ao Oriente. São parte integrante de comunidades e países muito diversos, alguns dos quais desempenham hoje um papel relevante no equilíbrio económico e geopolítico mundial.
Os muçulmanos, como os católicos, os judeus e os fiéis de outras religiões, têm o direito de professar a sua fé e de adorar Deus. É um direito fundamental, inscrito no próprio princípio da liberdade religiosa que funda as nossas sociedades. Um direito que alguns, por pulsão totalitária ou por desejos de uma falsa pureza social, querem a todo o custo limitar ou anular.
A mentira é uma constante histórica. E, se hoje é mais perigosa porque corre mais depressa do que nunca, também é verdade que nunca como no nosso tempo os cidadãos tiveram ao seu dispor tantas formas de a travar.
Ao contrário do que acontecia no passado, está nas mãos de cada um a possibilidade de contestar o pregão dos sacerdotes modernos. A verdade sobre o Islão está ao alcance de todos – e começa, simplesmente, pela vontade de a conhecer.