O Dia dos Namorados é tradicionalmente associado a flores, jantares especiais e presentes simbólicos. Mas, para muitos casais, sobretudo nas gerações mais jovens, o amor vive-se cada vez mais como uma parceria: feita de planos, decisões conjuntas e uma visão comum para o futuro.
Neste contexto, começa a ganhar força uma ideia simples, mas poderosa: investir a dois pode ser um dos gestos mais românticos que um casal pode fazer. Não por substituir os momentos de celebração, mas por representar cuidado, compromisso e construção a longo prazo. Entre os 20 e os 30 anos, muitos casais encontram-se numa fase de equilíbrio delicado: querem viver o presente, mas também sonham com marcos importantes, como uma grande viagem, um casamento, a entrada para uma casa própria ou maior estabilidade financeira.
Segundo dados da OCDE, a maioria dos jovens adultos reconhece a importância da literacia financeira, mas tende a adiar decisões de investimento por considerar que “ainda é cedo” ou que “o valor disponível é demasiado baixo”. No entanto, investir não é tanto uma questão de com quanto se começa, mas sim, de quando se começa e com quem.
Um dos maiores equívocos associados ao investimento é a ideia de que só faz sentido com grandes quantias. Na prática, investir cedo permite tirar partido do tempo, um dos fatores mais valiosos quando se fala de crescimento financeiro. Investir 50 ou 100 euros por mês, de forma consistente, não muda a vida de um dia para o outro, mas muda a relação com o dinheiro; uma vez que cria hábitos, disciplina e, quando feito em conjunto, alinha expectativas dentro do casal. É aqui que o investimento deixa de ser apenas uma decisão financeira e passa a ser um projeto comum.
Um casal, que decida investir em conjunto 200 euros por mês a partir dos 25 anos, com um retorno médio anual de 7% (estimativa comum para o mercado acionista a longo prazo), ao fim de 40 anos, esse investimento poderá ultrapassar os 500 mil euros. Se a decisão for adiada por 10 anos, mantendo o esforço mensal, o valor final poderá ficar mais próximo dos 300 mil euros. Ou seja, a diferença não está no montante investido, mas no tempo, e na consistência. Este é o efeito dos juros compostos em ação: pequenas decisões repetidas ao longo do tempo podem ter um impacto significativo no futuro financeiro de um casal.
Para quem está a dar os primeiros passos, os ETFs (fundos cotados em bolsa) são frequentemente uma das opções mais procuradas. A razão é simples: oferecem diversificação, simplicidade e custos reduzidos. Com um ETF, é possível investir em várias empresas ou setores ao mesmo tempo, reduzindo a dependência de um único ativo. De acordo com dados da Morningstar, a popularidade dos ETFs tem crescido entre investidores mais jovens, precisamente pela combinação entre acessibilidade e diversificação. Naturalmente, investir envolve riscos e os retornos não são garantidos, mas a diversificação ajuda a gerir essa exposição.
No Dia dos Namorados, um presente de 100 euros pode traduzir-se num jantar, um perfume ou um acessórios - são gestos válidos e simbólicos. Mas investir esse mesmo valor pode representar algo diferente: um compromisso com o futuro em conjunto.
Analista de mercados da XTB