quarta-feira, 09 set. 2026

Eleições em Berlim com mensagens políticas entre o previsível e o surpreendente

O resultado de setembro deverá definir não só a composição do Senado, mas também se Berlim mantém a atual coligação

As próximas eleições para a Câmara de Deputados de Berlim (Abgeordnetenhaus), cujo resultado determina a formação do Senado da Cidade-Estado, estão marcadas para 20 de setembro de 2026. A disputa ocorre num contexto politicamente conturbado: Kai Wegner, o atual presidente da Câmara, anunciou a retirada da sua candidatura à liderança da CDU depois de semanas de pressão relacionada com declarações incorretas sobre a sua gestão da crise durante um apagão de eletricidade no sul de Berlim – cerca de 100 mil pessoas foram afetadas – e causado por terrorismo de esquerda. Em seu lugar, o senador das Finanças, Stefan Evers, foi confirmado como novo cabeça de lista da CDU berlinense para conduzir o partido nos últimos meses de campanha, embora Wegner tenha manifestado intenção de permanecer no cargo de governo até à formação de uma nova coligação.

As sondagens mais recentes mostram uma corrida extremamente equilibrada e sem vencedor claro. Como nenhuma coligação de apenas dois partidos parece atingir maioria, as opções mais realistas apontadas são um governo de três partidos entre CDU, Verdes e SPD, ou uma alternativa de esquerda com Die Linke, Verdes e SPD – sendo esta última o cenário defendido pelo cabeça de lista dos Verdes, Werner Graf, que aspira a tornar-se o próximo presidente da Câmara à frente de uma aliança com SPD e Verdes. O resultado de setembro deverá assim definir não só a composição do Senado, mas também se Berlim mantém a atual coligação.

E quais são as mensagens políticas? Os Verdes defendem «rendas acessíveis» e pretendem converter «escritórios em habitações». A CDU promete que «Berlim será», sem especificar o que é que vai ser. O Volt anuncia «Finalmente, uma campanha difamatória». A AfD quer «tornar Berlim forte», o FDP «possibilitar a propriedade, em vez de expropriar», ou, em alternativa, «liberdade em vez de islamismo». O SPD lança académicos na corrida: um «luta por bairros limpos», outra diz o que a motiva: «Famílias fortes. Berlim forte». Uma jovem de ar simpático concorre pelo partido Die Linke para se tornar «presidente da Câmara de Berlim». Ao pescoço, usa um colar cujas pontas são unidas por uma inscrição. É preciso aproximar-se muito, muito perto do cartaz para ler: «Limite máximo das rendas». Não é possível apresentar uma posição política de forma mais subtil, muito menos por parte de um partido que elevou o «limite máximo das rendas» à sua principal reivindicação.

Desconfio que ninguém presta muita atenção aos cartazes ou estica o pescoço para ver que mensagem está pendurada numa árvore. No entanto, há uma mensagem que se destaca: a BSW – Aliança Sahra Wagenknecht de extrema-esquerda – deseja: «Menos Washington. Mais Alemanha». Por que razão a BSW aspira a «Mais Alemanha»? A Alemanha não é suficientemente grande? O último partido a defender «Mais Alemanha» não deixou saudades.

Nos círculos progressistas, o lema «Ami, go home» continua a ser muito popular. Nesses círculos, não se consegue nem se quer perdoar aos americanos por terem libertado a Alemanha, em vez de confiarem que a Antifa alemã o faria um dia.

Nos círculos do BSW a Rússia é vista com benevolência. Um pouco afastado do Ku’damm, está afixado num poste de iluminação um cartaz de um candidato do BSW, a sua mensagem é: «Quem procura a paz tem de dialogar!» Por isso, é preciso «reativar a geminação com Moscovo!». De facto, as autarquias de Berlim e Moscovo celebraram, no início dos anos 90, um acordo de «amizade e cooperação». Com o início da invasão russa da Ucrânia, a cooperação nas áreas da «modernização administrativa, economia, educação, juventude e entendimento entre os povos» foi suspensa até hoje. É assim que o BSW pretende pôr fim à guerra na Ucrânia. Primeiro, reativar a geminação e, depois, convencer os russos a renderem-se. Seja qual for a opinião que se tenha de Wagenknecht e do seu partido pode dizer-se que humor não lhes falta.