A guerra na Ucrânia parece ter atingido ponto de inflexão irreversível agora que entrou no seu quinto ano. As tropas russas enfrentam visíveis dificuldades no teatro de operações, à medida que a estratégia de Kiev de tornar a guerra inútil e muito cara para a Rússia está a dar frutos. Todavia, o futuro da segurança europeia não depende apenas do desfecho deste conflito.
Mesmo que seja derrotada militar ou estrategicamente, a Federação Russa continuará a ser a principal ameaça à arquitetura de segurança europeia durante os próximos anos alertam especialistas militares de vários países europeus.
Apesar da sua economia estagnada e do regime putiniano cada vez mais rígido e sentir o bafo na jugular, a Rússia continua a ser a principal potência capaz de, e empenhada em subverter a arquitetura de segurança do continente. Além disso, a reconstituição militar russa após a guerra não é uma questão de ‘se’, mas sim de ‘quando’. Responsáveis pelo planeamento de defesa e analistas estão dividem-se quanto ao prazo em que essa ameaça se poderá intensificar. Alguns temem que Moscovo seja capaz de prosseguir com a agressão logo após o fim da guerra na Ucrânia. Outros acreditam que poderão ser necessários muitos anos para reconstituir as suas forças armadas, enfraquecidas e degradadas. Parece haver consenso quanto à capacidade de Moscovo poder no entanto no prazo de entre cinco a sete anos atacar países da NATO.
De acordo com analistas militares citados pela Foreign Affairs as forças armadas russas não serão reconstituídas com a dimensão e a estrutura que tinham antes da guerra. «Irão prosseguir com uma reestruturação abrangente para acomodar uma força maior, composta por artilharia tradicional, formações de infantaria motorizada e de tanques, e unidades de drones. As futuras forças armadas russas terão mais infantaria – revertendo os cortes anteriores – e mais formações de drones para fornecer apoio de fogo ou realizar ataques de precisão. Continuarão a ser uma força que procura equilibrar capacidade, potência e prontidão, e que permanecerá dependente de uma combinação de recrutas, pessoal contratado e mobilização parcial de soldados da reserva».
A NATO está, em muitos aspetos, bem posicionada para enfrentar as forças armadas russas, a aliança enfrenta os seus próprios desafios. Grande parte da capacidade e dos meios presumidos da Aliança depende de os Estados Unidos disponibilizarem tanto as suas forças armadas como o apoio logístico e técnico e a capacidade organizacional de que os aliados necessitam e a continuidade da liderança americana na gestão da segurança europeia, algo que Washington tem vindo a sinalizar, nos últimos anos, que pretende reduzir.
Os Estados Unidos e a NATO dispõem de vantagens significativas em termos de poder aéreo e naval, capacidades de ataque de precisão, qualidade das forças e serviços de informação. No entanto, carecem da experiência da Ucrânia em lidar com um campo de batalha saturado de drones, vigilância generalizada e novas capacidades de ataque que as forças armadas russas estão agora a utilizar.