quarta-feira, 15 abr. 2026

Reforma do Estado, ouvi bem?

O que os Ministérios da Cultura têm sido sempre é ministérios da Propaganda, para comprar apoios e calar críticos

Querem mesmo uma reforma do Estado? Sugiro a primeira reforma. Só exige determinação e coragem. E por si só obrigará a outras reformas, que irão pôr o país em movimento... mesmo que muita gente o prefira parado.

Sem prejudicar direitos adquiridos, reduza-se a metade, numa assentada, o número de funcionários públicos. E eliminem-se ministérios, corra-se com os boys ociosos e cretinos que entopem os gabinetes.

Comece-se, por exemplo, por acabar com a inutilidade perversa dos ministérios da Cultura. A cultura é assunto dos criadores, ponto final *. O que os Ministérios da Cultura têm sido sempre é ministérios da Propaganda, para comprar apoios e calar críticos.

Eduardo Lourenço partilhava esta minha visão. Se nunca a assumiu publicamente foi por ter sido um mestre na arte de saber viver no país que temos. Vem a propósito revelar que ele foi a primeira personalidade a ser convidada para ministro da Cultura do Governo de Maria de Lourdes Pintassilgo. Não aceitou. Com a justificação piedosa que a Mulher estava doente e não a podia deixar sozinha em Vence, onde viviam.

Saberá o leitor onde surgiu o primeiro Ministério da Cultura? Na Alemanha nazi, com Goebbels. Seguiu-se a França, porque havia Malraux e De Gaulle, que o queria junto dele, precisava de encontrar um pasta em que as suas longas intervenções ‘chagassem’ menos os ministros.

Entre nós, antes e depois do 25 de Abril, sabe-se o que foram sempre. Com António Costa, claro, a espécie esmerou-se, com a caricatura de Pedro Adão e Silva, um servo bem pago desse PS.

E, no balanço, deixo outra sugestão. Uma reforma laboral que facilite os despedimentos e simplifique o encerramento das empresas. Isso bastará para que as remunerações do trabalho subam, a mobilidade profissional se active, as empresas cresçam e surjam, as ofertas de emprego se multipliquem, o rendimento aumente, o país se desenvolva. Estarão os Partidos interessados nisto?

 * No máximo, justifica-se um Serviço que trate do património cultural edificado.