1. A propósito das ‘nomeações externas’ em falta para órgãos da República, José Luís Carneiro disse que seria «incompreensível» e «inaceitável» que uma «maioria de direita, coligada com a extrema-direita, afastasse o PS do Tribunal Constitucional». Terei ouvido bem? O senhor secretário-geral do PS disse mesmo «incompreensível?». E «inaceitável?».
Explicando a aberração gritante de tais afirmações, o presidente do Parlamento, José Aguiar-Branco, disse tratar-se de «hábitos que vinham de uma configuração do Parlamento diferente daquela que hoje temos»... Maus hábitos, acrescento eu, dos que se julgam, afinal, donos da democracia.
2. Num tempo em que era arriscado ser-se democrata, Mário Soares quis uma Democracia inteira, que só inteira seria Democracia. E por isso se empenhou em que houvesse nela um Partido de direita. Foi assim que surgiu o CDS, que Soares levaria mesmo para um Governo. Note-se, no entanto, que o CDS para existir teve de se dizer do ‘centro’ e afirmar-se ‘democrático e social’.
Hoje o Partido Socialista trai esse seu honroso passado fundador. E parece querer mesmo ser dono da Democracia.
É por esta e outras razões idênticas que o PS caminha a passos largos para uma irrelevância sem retorno.