1.Tal como acontece noutras espécies, também na nossa espécie acontece a exceção de variantes humanas, que devem ser vistas e aceites com naturalidade e respeito. O que é revoltante é a exibição e exploração ideológica e política dessas variantes a que se assiste hoje. Exibição idêntica à que na Idade Média se fazia expondo e explorando nas feiras seres humanos então vistos como aberrações inquietantes.
A disforia de género, tal como a homossexualidade, por exemplo, é uma dessas disfunções excecionais. A regra é nascermos e crescermos de bem com o corpo que temos. E é necessário explicar isso às crianças e adolescentes. Atitude bem diferente da ‘campanha evangélica’ que com Costa e o seu ministro da Educação tornou ou quis tornar a escola num laboratório para o apuramento – e propagação inevitável – do que se tornaria numa moda. Foi o período em que os WC ‘se tornaram matéria existencial’, como alguém bem escreveu.
E de repente parece que o país se encheu de crianças e adolescentes a sentirem que nasceram no corpo errado. Seguiu-se a enxurrada de teorias do costume deixando cada vez mais para trás a análise e a consideração da realidade concreta, semeando pelo caminho vítimas e dramas.
Quando uma lei irresponsável, agora revogada*, permitiu às crianças e adolescentes decidirem que corpo devia ser o seu, quando a intervenção médica, por livre decisão delas, pôde tornar irreversíveis as suas consequências, a ideologia e a tara tornaram-se crime.
2. A Educação é o Ministério em que a escolha do ministro deve ser das mais exigentes. Quando a escola já quase nem ensina a ler, com a educação num caos aparentemente irremediável, para o qual, aliás, contribuiu durante muitos anos o ex-ministro em causa, porque terá A. Costa feito dele ministro? Sabe-se que exigência nunca rimou com António Costa. Mas sendo certo também que não dá ponto sem nó, a pergunta impõe-se: porque foi essa responsabilidade entregue a sujeito com tal currículo?
* A Lei n.º 38/2018, que consagrava a autodeterminação da identidade e expressão de género em Portugal, em vigor desde 2018, foi revogada em março de 2026 por iniciativa de PSD, Chega e CDS-PP. Esta alteração reintroduz a obrigatoriedade de avaliação médica/psicológica para a mudança de sexo e nome no registo civil, revogando a mudança baseada apenas na vontade do menor.