ONU, Guterres, Justin Trudeau, Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), Agenda 2030. Dificilmente haverá uma enumeração melhor para descrever a confusão em que se encontram as instituições livres criadas pelo Ocidente no pós-Guerra. Para os mais atentos, o verdadeiro significado desta lista é o seguinte: ambiguidade moral, irrelevância pantanosa, wokismo, acção afirmativa, histeria climática e toda a parafernália associada à ordem internacional liberal-chique. Simplesmente não poderia ficar pior, certo? Errado.
As Nações Unidas têm sido irrepreensivelmente competentes a publicitar a sua incompetência. E dado o seu carácter irrelevante, o que lá acontece, à excepção de alguns discursos importantes ou polémicos na Assembleia Geral, passa, compreensível e felizmente, sem grande cobertura mediática. No entanto, de vez em quando, como William F. Buckley, Jr. sugeriu uma vez, «deve relatar-se uma iniciativa da ONU, por precaução, caso algo mude». Nessa coluna específica, escrita em 1978 e à qual deu o nome sugestivo Meanwhile, at the Zoo, escolheu relatar as deliberações do Comité de Descolonização da ONU no que dizia respeito a Porto Rico. Hoje, vejamos uma deliberação do próprio Secretário-Geral.
Para quem não sabe-e eu não sabia, embora o tivesse assumido-existe uma coisa chamada Grupo de Defensores dos ODS, liderado por dois co-presidentes. Até agora, eram Mia Mottley, a primeira-ministra de Barbados, e Justin Trudeau, o ex-primeiro-ministro do Canadá. Após a sua queda em desgraça, chegou a hora de Trudeau se retirar, e Guterres ficou incumbido de encontrar um camarada para Mottley. A escolha, segundo o comunicado de imprensa da ONU da semana passada, foi feita com base na «liderança dinâmica [do nomeado] em questões críticas, incluindo o financiamento para o desenvolvimento, a educação, a igualdade e a ação climática». Para Guterres, que não parece cansado de tentar terminar o seu mandato de uma forma ainda pior do que já está, este é o perfil de liderança de Pedro Sánchez.
A realidade moral significa, em termos vagos, que existem verdades, verdades morais, que não são contingentes à opinião humana. E a realidade moral sobre Sánchez é que é um líder sem escrúpulos, que tem o seu partido e o seu círculo próximo envolvidos numa teia interminável de escândalos de corrupção, para quem não existem inibições quando se trata de manter o poder. E a retórica progressista não é mais do que uma das ferramentas que constam no seu arsenal político. Mas a retórica, e não a realidade moral, é tudo o que parece importar para a agenda que o Secretário-Geral tenta, de forma cada vez mais infrutífera, impor.
Por isso, devo socorrer-me de novo da frase memorável, porque verdadeira, escrita por Bill Buckley sobre as Nações Unidas na sua Odisseia pessoal enquanto delegado norte-americano junto da organização. Não resistiu apenas ao teste do tempo-Buckley escreveu-a em 1974-, na verdade, é cada vez mais, e de forma perturbadora, actual: «As Nações Unidas são o ataque mais concentrado à realidade moral na história das instituições livres, e não convém ignorar esse facto ou, pior ainda, habituar-se a ele».
Pois bem, já nos habituámos tanto a ele que aprendemos a ignorá-lo. E suponho que assim deva continuar, porque, caso contrário, seria um fardo demasiado pesado para suportar.