Totalmente a propósito, O Matuto lembra com saudade, o Vasco Santana num diálogo surrealista com um candeeiro de rua: Boa noite V. Exa. V. Exa. vai perdoar-me a inconveniência, mas podia fazer-me o obséquio de me dar um bocadinho do seu lume? [O candeeiro permanece silencioso] Compreendi-te! Não te dignas dar lume a um humilde transeunte. Não te dignas baixar-te a mim, convencido que és alguém. Estás convencido que lá por dares luz a uma simples rua, és igual ao sol, que dá luz ao mundo. Desculpa que te diga, mas és um ilusionista, um ilusionista e um vaidoso. De resto, és igual a todos os homens, perfeitissimamente igual. Julgas que és alguém sem te lembrares que há outros que estão muito acima (onde é que eu já li isto?!) [O candeeiro continua mudo] (…) Decididamente não me queres dar lume. Boa noite! (Pátio das Cantigas, 1942)
O Marcello, a visita reacionária da ‘Casa das Pontes’, acha graça ao relato e logo acrescenta uma história sua: “Em um bar, marido e mulher estão conversando. Ele, bebendo, diz:
— Eu te amo!
— Esse é você ou já é a cerveja falando? — pergunta ela.
— Sou eu… falando pra cerveja! – responde ele”.
A Belinha, a visita conservadora das ‘Pontes’, entra no espírito do momento e lembra uma piada já batida, do Churchill, mas ainda genial: “Contam que numa festa uma senhora da alta sociedade de Londres virou-se para o Winston Churchill escandalizada e disse: o Senhor está bêbado. Sim – confirmou Churchill – e a senhora é feia. Todavia, amanhã eu estarei sóbrio enquanto a senhora continuará feia”. O Matuto é um admirador confesso de Churchill e acha este episódio muito castiço.
Entretanto, numa crónica antiga de Sérgio Porto o Matuto dá de caras com um texto intitulado “Levantadores de Copo”. Eram quatro, segundo Sérgio Porto, que entornavam uns uisquinhos no boteco (taberna, em Portugal, por favor). Bebiam com certeza um “uísque baptizado” porque bebida baptizada sobe mais rápida. A conversa não era novidade. Conversa de bêbado de língua grossa. Discutiam as vantagens do samba. Discussão inconsequente, é claro. A conversa ia ficando mais acalorada. Foi ficando mais tarde e eles mais bêbados. Então veio o enfermeiro com a conta – segundo Sérgio Porto, garçom de bar de bêbado, é mais enfermeiro que garçom. Eles pagam e o garçom abre a porta para deixar aquele cambaleante quarteto ganhar a rua. Os quatro, lá fora no sereno, respiram fundo para limpar os pulmões da fumaça do bar (fumo, em Portugal, por favor). E seguem calçada abaixo os quatro entornados. Os quatro são casados. Afinal, chegam em frente a uma casa e um deles, depois de várias tentativas consegue tocar à campainha. Uma senhora sonolenta abre a porta e dispara: “Bonito serviço! Quase três da madrugada e vocês completamente bêbados”! Aí um dos bêbados pediu: “Por favor, não grite, minha senhora, e não nos dê ralhetes. Veja logo qual de nós quatro é o seu marido que os outros três querem ir para casa”.
Para rematar o Matuto conta a do homem que entra num bar e pede convictamente “um whiskey com Água Castello gaseificada, a temperatura ambiente, de sabor a limão e em garrafa bojuda”. E que whiskey o senhor deseja – pergunta o barista. O homem encolhe os ombros; “qualquer um serve” – responde displicente.
É isso mesmo, pontua o Matuto. A Água Castello tem o estatuto raríssimo de ser a única água Portuguesa que combina em frescor e sabor com todos os whiskeys do mundo. Acontece um milagre atávico quando as urzes místicas da Escócia, encontram os rios subterrâneos das caves de Pizões-Moura. É o “casamento perfeito entre as Terras Altas da Escócia, e as Terras Baixas do Alentejo” (já dizia o MEC). A melhor forma de reanimar um whiskey convalescente é adicionar Água Castello. Saúde! Ou como diria Churchill: Cheers!