terça-feira, 21 jul. 2026

Mudança de ciclo e de escola: o fim do mundo ou o início de um novo?

Estas mudanças fazem parte não só do processo de crescimento dos filhos, mas também do dos pais. Ensinam a lidar com a incerteza, com a imprevisibilidade e com o desconhecido. A arriscar e ao mesmo tempo a ser resiliente.

O final de um ciclo escolar, ainda mais quando envolve uma mudança de escola, marca também o fim de um ciclo da vida, e o início de um novo. Não só das crianças, mas também dos pais.

A cada passo em frente, os pais apercebem-se de que há qualquer coisa que ficou para trás. Uma criança mais pequena, mais dependente, mais ingénua, e as memórias dessa fase começam a surgir em catadupa envoltas em nostalgia. De repente, apercebem-se do tempo que passou e da forma como cresceram tão rapidamente, sem que se tivessem dado conta.

O mesmo vínculo entre pais e filhos irá manter-se, mas num primeiro momento surge uma espécie de receio de perda de lugar, que anuncia um caminho que se fará em direção a uma maior independência e autonomia, onde os pais começam a ocupar um lugar diferente. Ao mesmo tempo, há uma rutura com um ciclo que terminou e que abre lugar a algo que será não só a escola, mas também as novas aprendizagens, responsabilidades, conteúdos, colegas e professores novos, dos quais não se sabe o que esperar. São fases que podem ser tão felizes quanto difíceis, por todas as incertezas que implicam, carregando um sabor agridoce.

Para as crianças, podem representar momentos de receio, tristeza e insegurança, porque se veem forçadas a deixar amigos com quem cresceram, de quem gostam muito e com quem se sentem seguros; porque se despedem de professores com quem desenvolveram uma ligação forte, de um espaço e de uma rotina que já lhes pertencia.

Para os pais - e sobretudo para as mães, que têm um coração que cresce e encolhe muito facilmente e que nestas alturas chega a atingir o tamanho de uma cabeça de alfinete -, não é mais fácil, e implica decisões que podem roubar muitas noites de sono: manter na mesma escola, mudar, optar pelo ensino público ou pelo privado? Onde fica melhor? Onde vai correr melhor? Pergunta-se a amigos, a colegas, na esperança de que alguém diga, sem sombra de dúvida: ‘Faz isto que será de certeza o melhor’.

Por mais bem informados que estejam, nunca saberão qual é a decisão certa, se os mais pequenos irão gostar, se vão sentir-se bem, se vão ser bem acolhidos, acarinhados, se se vão adaptar, se o ensino é realmente bom. É sempre um risco. O risco de crescer. De experimentar e de descobrir.

Estas mudanças fazem parte não só do processo de crescimento dos filhos, mas também do dos pais. Ensinam a lidar com a incerteza, com a imprevisibilidade e com o desconhecido. A arriscar e ao mesmo tempo a ser resiliente.

É uma mudança que se faz em conjunto, com o entusiasmo de quem, apesar de estar cheio de dúvidas e receios, transmite aos filhos que irá correr tudo bem, dando segurança para que possam avançar com confiança e entusiasmo. E por vezes é o inverso, são os filhos que encorajam os pais... E é nestes exercícios que os filhos aprendem a caminhar com maior autonomia e os pais a deixá-los ir, sabendo que cada novo ciclo é mais um capítulo da mesma história, da sua e da dos filhos.