Estas são palavras que, cada vez mais, se multiplicam no quotidiano das crianças, numa tentativa de valorizar, proteger e sustentar uma imagem positiva e confiante quando ainda se estão a conhecer.
Felizmente, estamos cada vez mais cientes e sensíveis ao peso que o olhar do outro tem na forma como cada um se vê e constrói, de que é no espelho dos outros que a criança começa por se reconhecer e que organiza a sua ideia de quem é e de quem pode vir a ser.
Talvez por essa razão, muitos pais e educadores sentem a necessidade de valorizar cada gesto e cada tentativa da criança, sem que possa escapar uma réstia de frustração ou dúvida em relação ao seu desempenho, às suas qualidades ou esforço.
No entanto, à medida que crescem, alguns jovens, começam a sentir estes reforços como ocos, vazio ou pouco sustentados. Às vezes chegam a parecer automáticos, previsíveis ou pouco verdadeiros. No fundo, com pouca relação real com o seu desempenho. Sentem que, independentemente do que fizerem o elogio é certo e por vezes até excessivo. E, quando tudo é “fantástico”, já nada é verdadeiramente fantástico.
Desta forma, a tentativa de valorizar e reconhecer, acaba por poder surtir o efeito oposto, deixando de haver uma diferença real de reconhecimento entre fazer bem e mal e aquilo que procurava suportar a confiança pode acabar por fragilizá-la.
Ao mesmo tempo, parece existir um lado lunar que dificilmente é olhado, nomeado ou reconhecido. Como se fosse difícil admitir a falha, o erro ou o que corre menos bem e este espaço tendesse a ser suavizado, contornado e por vezes, até, apagado. Como se assumi-lo pudesse constituir um perigo para a criança e, até, colocar em risco o seu equilíbrio emocional ou, eventualmente, o dos próprios adultos.
No entanto, falhar pode ser tão construtivo como vencer. Porque é no erro que se aprende a lidar com a frustração, a ajustar expectativas e a persistir. Crescemos e conhecemo-nos verdadeiramente não só através daquilo em que somos bons, mas também através das nossas limitações.
Quando o confronto com a falha é sistematicamente evitado, porque se tem pena, porque se tem receio da reação, porque se quer amparar, porque é emocionalmente difícil também para quem quer sustentar, deixa de se proteger, para construir uma fragilidade em relação à realidade que, mais cedo ou mais tarde, inevitavelmente irá impor-se.
Será precisamente nesse momento, em que nos confrontamos com a falha, que nos apercebemos de que pode faltar aquilo que nunca foi verdadeiramente exercitado: o conhecimento das fragilidades, a capacidade de lidar com elas e de reagir ao que não correu bem, sem que isso comprometa a imagem de si.
Falhar é tão comum e tão importante como ter sucesso. E ao longo do crescimento falha-se bastante.
Talvez o desafio não passe por elogiar mais ou menos, mas por poder sustentar um olhar reconhecedor e verdadeiro. Que não precise de transformar tudo em excelente para ser suficientemente bom.