O Público na semana passada trazia um extraordinário artigo de Pedro Norton que, não dizendo nada que em absoluto se ignore, nos acorda, com um abanão perturbador, para a realidade em que os nossos dirigentes têm deambulado como sonâmbulos. O que ele diz, em suma, é que estamos a viver o prelúdio do fim da Europa às mãos das novas grandes potências, China e Rússia mas especialmente Trump, precisamente este País que ao longo de décadas, desde o fim da Segunda Guerra, nos tem bafejado com a sua protecção, que dávamos como eterna. Isso permitiu à Europa descurar por completo o seu armamento, assim poupando o necessário para alimentar o Estado Social de que tanto nos orgulhamos; e também para fazer investimentos mais atrativos: a Europa é um Continente mimado e não vê razões para abandonar os seus sofás luxuosamente estofados nem os seus corredores alcatifados da melhor lã.
É impossível que os responsáveis europeus não tenham consciência do estado do Mundo, e do gume da navalha sobre o qual a Europa se equilibra com dificuldade. Não é por falta de diálogo e de reuniões, mas até hoje não produziram nada de efetivo ou eficaz. Para Norton – e para qualquer pessoa que não sofra de lunatismo – a solução seria fazer da União da Europeia um Estado Federal. Em vez disso, o que Bruxelas clama é que estamos desarmados, e que cada País deve aumentar a percentagem do PIB que está habituada a gastar. Quanto aumentar é fonte de discórdia. E se houvesse uma guerra no Continente, como é que se organizariam as novas capacidades militares, e como seriam essas forças hierarquizadas. Ou seja, quem comandaria tantos exércitos. Duvido que alguma vez chegassem a um acordo indiscutível.
Transformar a União Europeia parece uma solução atrativa. Mas nem sempre o implausível acaba por entrar na História. Uma Federação Europeia não é sequer implausível, é uma radical impossibilidade. Porquê ? Pela simples razão de que a Europa é constituída por NAÇÕES, essas Nações, firmemente estabelecidas desde o último quartel do século XIX, não renunciam à sua soberania, para não mencionar os seus hábitos culturais e sociais.
Ignoro como se possa resolver o problema. Mas parece-me que uma Federação Europeia nunca verá o dia.