terça-feira, 18 ago. 2026

Portugal é solidário com os seus aliados, mas não tira benefício da situação geográfica

Quando falamos em fronteiras, temos sempre a ideia que Portugal está apenas ligado a Espanha, completamente errado, a nossa costa marítima é uma fronteira muitas vezes maior e mais importante que as nossas fronteiras terrestres.

Dos Estados Unidos da América (EUA), pela ‘Rota do Sul’, o primeiro país da Europa alcançado é Portugal. Do Brasil e de outros países da América do Sul, os navios de passageiros e outros fazem a travessia transatlântica pela ‘Rota do Sul’. Passa-se o mesmo com Angola e outros países africanos: a sua entrada na Europa é através de Portugal ou Espanha. Para tantos outros países a realidade é idêntica.

Na realidade, Portugal tem relações diplomáticas a nível global, faz parte de organismos internacionais: União Europeia (UE), Organização das Nações Unidas (ONU), Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN/NATO) e tantas outras organizações que se solidarizam.

Portugal, desde que aderiu à União Europeia em 1 de janeiro de 1986 até à atualidade, teve um saldo acumulado superior a 200 mil milhões de euros e continua a receber dinheiro. Em relação à NATO, Portugal e todos os países que fazem parte desta organização são contribuintes líquidos. França e Alemanha, o tradicional eixo da Europa, anunciaram à vez que vão atingir a meta fixada pelos países membros da NATO de gastar 2% do Produto Interno Bruto na Defesa.

Portugal, também contribui com cerca de 2% do PIB e os nossos governantes já anunciaram que vão reforçar com 3,1% do PIB a contribuição para a NATO. Uma grande surpresa, Portugal é o país da Europa que mais quer contribuir.

A NATO é uma organização de defesa que está localizada em Bruxelas na Bélgica, mas são os EUA que decidem o que todos os outros países aliados, tem que contribuir do seu PIB.

Sendo Portugal dono do seu espaço, sabem quanto recebemos dos EUA pela utilização da Base das Lajes e pela passagem de navios de passageiros e navios petroleiros pela ‘Rota do Sul’ atravessando o nosso espaço marítimo, assim como tantos países de vários continentes, que a sua entrada marítima para a Europa é feita por Portugal? Nada recebemos. Portugal não tira rendimento do nosso espaço marítimo.

A Europa dos 27 e todos os outros países, que fazem parte da Europa Democrática, têm que mudar de atitude e criar legislação que nos proteja em relação à Economia, Defesa, aos impostos e taxas aduaneiras, à entreajuda e a tudo o que diz respeito a Assuntos Europeus.

De facto, a UE tem um Parlamento organizado e dele fazem parte 27 países. Tem presidente da União Europeia e presidente do Conselho Europeu, tem presidente das Relações Externas, mas na prática o que a UE tem é órgãos de representação sem poder. O verdadeiro poder está nos Presidentes da República e chefes de Governo. É uma organização com leis e procedimentos antiquados. Com a evolução tecnológica, comercial e populacional de países de outros continentes, a Europa está em decadência absoluta.

A Europa dos 27, não está em perigo de invasão ou guerra. Todos estes países estão protegidos por acordos de defesa e protegidos pela NATO, mas outros países da Europa, nomeadamente a Ucrânia, que está em guerra e dependente da boa vontade das Comunidades Internacionais, nomeadamente dos EUA e na ajuda no ponto de vista estratégico. E continua a ser uma enorme falha da UE estar a protelar a entrada de pleno direito da Ucrânia neste organismo.

A Ucrânia estando em guerra e com ajuda da Comunidade Internacional vai tornar-se no maior e mais sofisticado exército da Europa; sem essa entrada, um dia pode não ser nosso aliado.

Professora universitária de Gestão e Economia