As eleições para a Presidência da República, vieram demonstrar que a votação continua a ser dos portugueses, mas a escolha é feita nos órgãos de comunicação social. Nestas eleições os comentadores, tiveram um papel vergonhoso e em direto destruíam uns a favor de outros. Todos nós verificámos que esses fazedores de opinião, após os debates televisivos eram ‘parciais’ com uma postura tendenciosa.
Os dois candidatos, que passaram à segunda volta, não foi pelo reconhecimento dos portugueses, mas porque os comentadores o desejaram. O meu candidato na primeira volta foi Henrique Gouveia e Melo, fazendo parte da sua estrutura. Na segunda volta votei pelos valores democráticos sem entusiasmo, mas sim por responsabilidade histórica.
Só que estas eleições para a Presidência da República, independente das escolhas, houve partidos políticos vencedores e perdedores e tudo deve ser analisado. O Partido Socialista e o Chega foram os vencedores. O PPD/PSD, BE, PCP, PL e IL, foram os derrotados.
António José Seguro, foi eleito com o apoio de toda a área da esquerda e o centro-direita, mas o grande beneficiado vai ser o Partido Socialista. Por outro lado, a direita e extrema direita esteve ao lado de André Ventura e de todo um partido Chega que aumentou a votação.
Sendo a expressão dos partidos à esquerda pouco significativo, mais reduzido ficou com estas eleições. Mas mais absurdo é o PPD/PSD, que nas eleições legislativas foi o partido mais votado, nestas com Marques Mendes ficou reduzido a 11%. Luís Montenegro, este será o momento de refletir e de se consensualizar que o procedimento está errado.
Falar deste momento critico, não é o meu foco de avaliação, tenho a certeza que desde o PR, autarquias, governo, militares, proteção civil e todos os intervenientes, fizeram o que humanamente é possível.
Mas voltando ao assunto político. Porque está a falhar o PPD/PSD? Partido fundado por Sá Carneiro, um político da classe alta, movimentando-se nas elites portuguesas, a sua preocupação foi atrair todos os portugueses independentemente das origens ou classes sociais, sendo ainda hoje a maior referência. O atual líder Luís Montenegro tem essa preocupação? Não tem. Lembro uma citação de Sá Carneiro num congresso do PPD/PSD de 1978. «O nosso Povo tem sempre correspondido nas alturas de crise. As elites, as chamadas elites, é que quase sempre o traíram, e nós estamos a ver mais uma vez que o Povo Português foi defraudado da sua boa fé». Afinal como pode Luís Montenegro evocar o legado de Sá Carneiro? Ao contrário dele, todo o seu procedimento é para benefício próprio e dos seus amigos.
Como é possível um primeiro-ministro, da vez de unir o seu partido divide. O seu método tem sido escolher pessoas que o possam beneficiar? Como explicar a nomeação do atual PGR Amadeu Guerra? O número um do partido no PE, Sebastião Bugalho? O candidato a PR, Marques Mendes? E tantos outros que estarão na calha para serem peças do seu tabuleiro. Reflita na frase de Sá Carneiro, são as chamadas elites onde V. Exa., se quer movimentar que o vão trair. E pense nesta citação de Johann Goethe. «A ingratidão é sempre uma forma de fraqueza. Nunca vi homens hábeis serem ingratos».
O PPD/PSD, é dos seus militantes que pagam as suas quotas onde me incluo, e que estão preocupados com o rumo e comportamento do seu líder.
O grande problema de Luís Montenegro é querer pertencer a um jet-set que não lhe pertence. Boas casas, bons carros, as melhores férias rodeadas de luxo, os melhores hotéis, os amigos ricos.
Por fim quero agradecer a Marcelo Rebelo de Sousa, ao terminar o seu mandato de Presidente da República, a forma digna como se relacionou com os portugueses. O seu lado humano com que exerceu os seus mandatos, só nos pode deixar cheios de orgulho. Neste momento de despedida, desejo-lhe as maiores felicidades. BEM-HAJA, Senhor Presidente da República, pelo legado que nos deixa.