Nota prévia: Há quem, razoavelmente, se regozije com o provável crescimento turístico resultante da guerra no Irão e dos efeitos nos países-paraíso do Médio-Oriente. Para as contas nacionais é positivo pelo lado da receita fiscal. Gera consumo (iva) e emprego (descontos) a muitos de cá e de fora que têm poucas qualificações ou exploram negócios associados ao turismo. Para o cidadão comum, configura um potencial aumento do custo de vida, designadamente nas zonas de lazer e históricas. «A ordem é rica, mas os frades são pobres», diz a nossa sabedoria popular.
1. O Presidente Seguro marcou o seu primeiro Conselho de Estado (CE) para 17 de abril. Segurança e Defesa são os temas. Estrategicamente, a reunião do CE foi antecedida, na terça, com uma do Conselho de Defesa Nacional. Além da matéria sensível e atual a analisar, esta chamada é uma pressão para o Parlamento eleger ‘in extremis’ os membros do CE que faltam, no dia 16, quebrando um vergonhoso impasse. As margens são curtas em termos de deputados, pelo que pode haver quem roa a corda no voto secreto. Nesta quinta-feira termina o prazo para a apresentação dos nomes na Assembleia. Coincide com o discurso que o Presidente decidiu fazer no Parlamento, na cerimónia que assinala 50 anos da constituição. Na semana seguinte, ocorrerá a primeira presidência aberta. E logo, como prometido, na região Centro, tragicamente afetada pelos temporais e onde tardam os apoios. E assim o PR entrou na fase de ação política associada à palavra, a sua arma principal. Uma nota a propósito: não é líquido que a antecipação das reuniões com o primeiro-ministro seja objetivamente positiva. É que se, por um lado, permite influenciar os conselhos de ministros das quintas-feiras, por outro nada garante que não se possa dizer que decisões mais controversas ou impopulares do Governo tiveram assentimento prévio.
2. O congresso do PS foi um deserto e quando muito um ajuntamento de camaradas conhecidos, que não amigos. Foi desolador ver tantos lugares vazios, verificar a ausência dos que se sabe serem alternativas futuras e constatar que Santos Silva ainda tem lata para aparecer. Absurdamente, a questão mais falada foi o Tribunal Constitucional. Não existiu autocrítica nem reflexão sobre como foi possível perder em dois anos uma maioria absoluta e passar a terceiro partido. Também não se viu emergir pensamento sobre o futuro dos portugueses e a forma como Portugal se pode afirmar, através da inteligência e da inovação, fatores que hoje contam mais do que a força bruta, como se vê pela China comparada com os EUA. Nem sequer serviu para eleger a comissão política e sobretudo o secretariado nacional, principais instâncias do partido. Essa tarefa compete à Comissão Nacional, um órgão gigantesco onde cabem todos e à qual José Luís Carneiro irá submeter os nomes que propõe. Para já tudo como dantes…
3. Nos bastidores políticos ninguém garante que o caso Spinumviva tenha evoluído positivamente para Luís Montenegro desde as eleições. À margem da evolução do tema na Justiça e dos assuntos referentes à sua nova casa, multiplicam-se especulações sobre cenários, questionando o comportamento ético do primeiro ministro, mais do que os seus próprios negócios ou legitimidade eleitoral. Particularmente ilustrativa desse ponto de vista foi a intervenção de Nuno Garoupa, sábado passado, na Rádio Observador.
4. As pantagruélicas comezainas publicitárias de Isaltino Morais valeram-lhe um processo do Ministério Público (MP) por despesas de representação e refeição exageradas. Dele e de mais uns quantos quadros da Câmara de Oeiras. Isaltino diz que está tudo legal. E assim parece, quando se dividem as faturas pelo tempo de mandato e o número de supostos envolvidos. É, pois, provável que o processo não dê em nada. Se quisesse mesmo ser útil ao coletivo, o MP deveria intimar Isaltino a apresentar-se para fazer análises ao colesterol e aos triglicéridos, a fim de salvaguardar a saúde de um dos mais dinâmicos autarcas do país.
5. A confirmarem-se as suspeitas que envolvem Laplaine Guimarães, o dinossáurico secretário-geral da Câmara de Lisboa (agora suspenso de funções vindas do tempo de Abecasis), o caso pode ir fundo. A administração de Lisboa é um labirinto com mais de 10 mil empregados, muitos polos, interesses, cheio de poderes que se aproveitam das rotinas. É até a única Câmara a ter um secretário-geral, o que se deve ao manifesto desconhecimento do terreno de muitos dos autarcas que por lá passaram (com exceção de Santana Lopes, altura em que Laplaine estava no staff de Sampaio em Belém). O caso Lúmen pode ser tudo ou dar em nada, em Lisboa e noutras autarquias. Logo se verá, muito mais para a frente.
6. Francisco José Viegas é o consultor cultural do Presidente Seguro. Foi em tempos secretário Estado de Passos Coelho. Sabe-se que Passos e Seguro sempre se deram bem quando lideravam as respetivas juventudes partidárias. Aparentemente, ainda hoje convergem noutras áreas…
7. A França pode encontrar um ponto de equilíbrio nas próximas presidenciais, dando espaço a uma via moderada entre a esquerda e a direita radicais, de Mélanchon e de Le Pen. As recentes eleições municipais confirmaram Édouard Philippe, o reeleito Maîre do Havre, como um potencial agregador de centro direita. Phillippe chegou a ser primeiro-ministro de Macron e surge agora como uma espécie de Seguro francês. Isto apesar de ter sido no seu tempo que nasceu a contestação dos ‘gilets jaunes’. Seja como for, é popular e criou o movimento ‘Horizons’, que representa uma via liberal não dogmática.