Nota prévia: Por mais que Ventura e o Chega neguem, é hoje evidente que existem ligações consistentes entre o segundo partido português e o movimento ultranacionalista 1143. Ninguém acredita que esta infiltração do Chega pela extrema-direita seja do desconhecimento do seu líder e dos seus principais dirigentes, até porque está tudo demonstrado por imagens. Se Ventura quiser manter-se credível, tem de cortar radicalmente com o 1143 e com a gente do Chega que se relaciona com esses extremistas. O 1143 é um bando de indivíduos perigosos, associados a práticas de violência, crimes grupais e todo o género de delinquência. Os seus integrantes são tão analfabetos que se reclamam nazis. Nem percebem que pela pinta e os apelidos que têm o mais certo era terem sido exterminados pelos torcionários das SS, que eles veneram. Esta, sim, é gente indigna de ser portuguesa, ao contrário de muitos imigrantes que por cá temos e que sabem trabalhar a bem do país.
1. Não vale a pena gastar muito texto com o debate Seguro/Ventura. Enfrentaram-se candidatos a cargos diferentes. Seguro a Presidente e Ventura a primeiro-ministro em próximas legislativas. Ao ponto de o líder do Chega ter começado por se anunciar como perdedor certo deste confronto com a esdrúxula explicação de que a grande maioria não o quer por comodismo do sistema. Nem foi capaz de reproduzir um discurso de treinador das distritais a quem toca um dos três grandes na taça. Já Seguro esteve uns furos abaixo do primeiro debate entre ambos, em que foi mais convincente. Percebe-se a estratégia, mas perdeu na forma ao limitar-se a não perder o potencial dos 64% a que aspira. Verdade se diga também que o modelo escolhido pelas televisões não ajudou. Quanto aos moderadores, fizeram mal ao não trazerem à colação os apoios e ligações que os candidatos recebam ou tenham com organizações sinistras de esquerda ou direita. Foi uma falha que deu jeito a Ventura, como o facto de pouco se ter falado das funções essenciais do Presidente da República (representação externa, decisões de nomeação, comando supremo das forças armadas e exercício do poder da palavra e de veto).
2. Teoricamente, um dos bens essenciais para que um país progrida é a estabilidade político-económica. Tem-se enfatizado essa necessidade nos discursos destes dias. É para preservar a estabilidade futura que Montenegro não toma partido na segunda volta, uma vez que, no Parlamento, precisa tanto do Chega e da IL, à direita, como do PS, Livre, Bloco, PC e PAN, à esquerda. É o jogo dos assentos a funcionar, e bem. O problema é que, em Portugal, temos visto a relativa estabilidade política conferida pelo voto acabar por questões extrapolíticas. Costa caiu por causa de uma nota de rodapé num comunicado da PGR e de 75 mil euros escondidos no escritório do seu chefe de gabinete e fiel amigo. Já Montenegro foi derrubado por falta de confiança do Parlamento, através de um voto que tinha subjacente a Spinumviva. Nenhum dos casos punha em causa a legitimidade política. Apostar que o próximo cenário será de calmaria, é arriscado, embora louvável. Cá e no mundo democrático, as crises de hoje resultam essencialmente de escândalos ou factos políticos menores, geradores de tsunamis de clicks que se propagam sucessivamente à bolha e ao povo.
3. Cotrim de Figueiredo nem esperou pela segunda volta para lançar o seu Movimento 2031. Esta agremiação, se é que vai mesmo apresentar trabalho, é o embrião de uma recandidatura de Cotrim a Belém, daqui a cinco anos, se Deus lhe der vida e saúde. É o que se chama ir com muita sede ao pote. Todavia, a história recente mostra que o Presidente em exercício tem sido sempre reconduzido. E também nos diz que até hoje só um derrotado numa presidencial conseguiu voltar a apresentar-se e ganhar. Trata-se de Aníbal António Cavaco Silva que tinha como pergaminhos o facto ter sido primeiro-ministro dez anos e o maior reformador executivo do país desde o 25 de Abril, coisa que manifestamente o ex-líder liberal não foi nem será.
4. Embora o seu curriculum não o recomende depois dos casos de corrupção que o envolveram juntamente com Platini, Joseph Blatter, ex-presidente da FIFA, fez bem em subscrever a ideia de que pode ser aconselhável os adeptos estrangeiros assistirem pela televisão ao mundial 2026. Sabendo-se o que se passa internamente com a perseguição a imigrantes, e não só, pelos homens do ICE, a ameaça de boicote é provavelmente uma arma eficaz. Até porque Trump é conhecido agora nos EUA pelo acrónimo TACO (Trump Allways Chicken Out). Ou seja, foge sempre como as galinhas