quarta-feira, 13 mai. 2026

A diplomacia

A trégua relativa para negociação entre o Irão e os Estados Unidos prova que a diplomacia é essencial.

Nota prévia: Está em curso a primeira presidência aberta de Seguro. As impressões recolhidas confirmam que o Governo não está a cumprir com o estendal de promessas que fez depois dos temporais. É o costume em Portugal. Resta ver se com este Presidente alguma coisa muda no pós-visita. Como se sabe, nem Marcelo conseguiu depois dos grandes incêndios. Noutro campo, parece haver um princípio de acordo entre PSD e o Chega com o PS para os órgãos externos do Parlamento. Sendo o voto dos deputados secreto, nada está garantido em termos absolutos, mas as linhas vermelhas vão cedendo paulatinamente, apesar das gritarias para português ouvir.

 

1. A anunciada suspensão das hostilidades entre os EUA e o Irão durante duas semanas provou, mais uma vez, que a diplomacia de contacto funciona mesmo nos momentos mais difíceis. Em cima da hora limite, Trump e os aytollahs decidiram conversar, depois de esforços de intermediação do Paquistão e da China. São boas notícias, dentro de um quadro global que continua perigoso e complexo. Na hora de enviar esta crónica, ocorriam bombardeamentos cruzados em vários pontos do Médio Oriente, nomeadamente no Líbano, e o clima de guerra subsistia. É provável que a situação assim se mantenha mais alguns dias. Desde logo porque Netanyahu tem referido que não há trégua na guerra contra o Hezbollah, que Teerão patrocina. O estreito de Ormuz abriu e fechou logo. E há nota de que Irão e Omã querem cobrar portagens, contrariando o direito internacional. Porém, o petróleo começou a descer nos mercados, mas a tendência pode alterar-se a todo o instante. Horas antes de Trump aceitar a suposta trégua, os ayatollahs voltaram a mostrar que não hesitam em recorrer a métodos repugnantes de terrorismo. Mobilizaram civis, até crianças, para servirem de escudos humanos para proteger alvos estruturais. É a política cobarde que o Hamas faz em Gaza. O regime iraniano vai-se manter, embora já não represente o mesmo perigo planetário. A oposição interna vai continuar a ser chacinada. Trump cedeu em cima da hora e é um ‘semi-loser’, o que pode significar que ainda tem na cabeça uma réstia de bom senso. Só Israel se pode declarar vencedor relativo.

 

2. As eleições de dia 12 (domingo) na Hungria são fundamentais para a União Europeia (UE). Só a derrota de Viktor Orban a pode livrar de um político e da sua clique que funcionam, simultaneamente, como agentes de Trump, da extrema-direita e, sobretudo, de Putin, minando as democracias liberais e apoiando os inimigos de uma Ucrânia livre e pacífica. Orbán, no poder há 16 anos, recebeu esta semana JD Vance e até promoveu uma ‘inventona’ de sabotagem, que atribuiu à Ucrânia, plasmando o costume russo. O combate do líder da oposição, Péter Magyar, um conservador nos parâmetros ocidentais, é difícil, mas é possível. Era fundamental para acabar os bloqueios que Orbán tem imposto a toda a UE, em defesa dos interesses do Kremlin.

 

3. Não há memória de um secretário-geral da ONU tão ineficaz e antiocidental como Guterres. A ausência das Nações Unidas na intermediação da guerra no Irão voltou a prová-lo. Guterres delicia-se com as causas que transformam o ‘Homem Branco’ no gerador de todos os males do mundo, influenciando negativamente a imagem de Portugal. O nosso ex-primeiro-ministro especializou-se em valorizar as autocracias e teocracias. Tem-se associado às exigências de ditadores africanos sanguinários, corruptos e racistas que reivindicam reparações pela escravatura transatlântica. Um absurdo quando se sabe que a escravatura em África existia bem antes da chegada dos brancos, sendo praticada por negros entre si, por árabes e antes deles por romanos, gregos, chineses e civilizações centro e sul americanas. Isto para não falar de que existia na Mauritânia até há 40 anos ou da barbárie vigente em países como a Nigéria onde se chacinam cristãos. Guterres entrou com uma missão climática. Quando falhou, optou por uma postura colada ao wokismo, fragilizando as democracias liberais e humanistas. Nos seus dois mandatos tudo se agravou. Os modelos tirânicos e autoritários consolidaram-se. Que acabe depressa o seu tempo e se escolha alguém menos sectário que trave a irrelevância da ONU. Vá lá que, ao estar desfasado das nossas presidenciais em termos de timing, livrámo-nos do risco de levar com a criatura em Belém. Ao menos isso…