quarta-feira, 13 mai. 2026

Pornografia de graça…

Na visita do Papa Leão XIV a África, pusemo-lo a condenar Trump e a sua Administração, pusemo-lo contra a guerra no Irão, fizemos exegeses e interpretações dos seus discursos tendo como grelha de leitura a América.

O Papa Leão durante a viagem de volta a Roma a bordo do avião proferiu palavras escandalosas, para uns, ousadas, para outros, e, para outros, ainda, inadmissíveis. Foi uma festa para muitos ouvir um Papa considerar que, na moral, a sexualidade não deveria ocupar o ponto máximo. No fundo, há mais para além do sexo…

Realmente é tradição nas visitas dos Papas a África falar-se de moral sexual, abafando tudo o que é dito para além disso. Bento XVI, por exemplo, quando se deslocou aos Camarões e a Angola referiu que os preservativos não são solução para os problemas da Sida. Tinha admitido, ainda, que o uso do preservativo para um prostituto pode ser o princípio da moralidade.

Escusado será dizer que depois destas declarações no avião, não se soube de nenhuma outra palavra que o Papa tenha dito nos países que visitou. De uma visita de um Papa à República dos Camarões e a Angola a única palavra que se debate na sociedade é… sexo.

O que é que existe nas palavras de Leão XIV que possa ser tido como inovador? Nada! Na verdade, o que este discurso vem alertar é que provavelmente andamos todos muito preocupados com a liberdade sexual, mas menos preocupados em defender a justiça e a igualdade, a liberdade dos homens e das mulheres ou, ainda a liberdade religiosa.

Lembro-me de um professor de Moral Pessoal, na Universidade Católica, no início de uma aula, ter encontrado um berbequim em cima da mesa e de nos ter perguntado: «O que faz um berbequim numa aula de moral sexual?». Naturalmente todos se riram, matreiramente. Cristo diz que «a boca fala da abundância do coração» (Mt 12, 34). Realmente, nós não estávamos numa aula de moral sexual, mas numa aula de moral pessoal, que vai muito além da moral sexual, mas ele tinha um prazer em tratar matérias que nos fizessem pensar, mas acima de tudo que nos escandalizassem.

A verdade é que o sexo é muito importante para todos, porque interfere na vida de todos. Eu nem quero dizer que o sexo interfere na vida, como relação de procriação. A nossa sexualidade é parte integrante do nosso ser… Ela define-nos… Ela limita-nos… Ela liberta-nos…

A sexualidade é o dom mais precioso que temos, mas também pode tornar-se na nossa maior escravidão…

Correndo o risco de dar mais importância à moral sexual do que a todos os outros campos da moral, eu tenho de dizer que achei, e acho ridículo que o Parlamento francês tenha levado a votação, a proibição do uso de redes sociais a menores de 16 anos pelos efeitos maléficos que provoca no desenvolvimento da criança e do adolescente.

E porque acho ridículo? Porque, na realidade, não disseram uma única palavra sobre os malefícios da pornografia no desenvolvimento humano. Na realidade, para que alguém possa entrar numa rede social é necessário fazer um registo, ter um e-mail, estar devidamente identificado (mesmo que o perfil seja falso). Porém, pode assistir-se a pornografia livremente, sem deixar rasto, sem introduzir uma única password, sem criar um perfil…

Na visita do Papa Leão XIV a África, pusemo-lo a condenar Trump e a sua Administração, pusemo-lo contra a guerra no Irão, fizemos exegeses e interpretações dos seus discursos tendo como grelha de leitura, a América.

O que é que ele disse para os países por onde passou? Não importa. O que importa é o sexo…