Querida avó,
Feliz Ano Novo!
Sabes aquela dieta do ananás (em que as pessoas só comem ananás)? Nesta altura do ano, se pudesse, fazia “uma dieta” em que só comia: bolo-rainha, filhós, azevias… e como sobremesa comia lampreia (de ovos, claro) e Ferrero Rocher.
Mas, na verdade, este neto, que tanto te ama, porta-se muito bem. Ou pelo menos tenta.
Como dizia o nosso grande amigo Prof. Fernando Pádua: «O importante não é o que se come entre o Natal e o Ano Novo, mas sim o que se come entre o Ano Novo e o Natal».
Por falar em ensinamentos sábios, no início do ano recordo sempre o livro “A Menina dos Fósforos”, que li em criança.
O conto de Hans Christian Andersen, que, apesar de ter sido escrito no século XIX, continua extremamente atual. A história de uma menina pobre que, numa noite fria de Ano Novo, tenta vender fósforos nas ruas enquanto sofre com a fome, o abandono e a indiferença da sociedade. Para escapar daquela realidade cruel, refugia-se nas suas imaginações, criadas a partir das chamas dos fósforos, até que morre sozinha, ignorada por todos.
Não é apenas uma história triste, mas também uma crítica social que atravessa o tempo. Uma reflexão sobre empatia, responsabilidade coletiva e justiça social. Se relacionarmos o conto com a atualidade, fica claro que a obra continua sendo um alerta: enquanto houver indiferença diante do sofrimento humano, especialmente o das crianças, a história da menina dos fósforos continuará a repetir-se, apenas com novas formas e cenários.
Que este novo ano te traga muita saúde, paz e gargalhadas. Sou muito grato por todo o teu amor, por tudo que me ensinas e por todas as experiências e viagens que fazemos juntos.
Que não te falte saúde, alegria e momentos lindos. Obrigado pelo teu abraço ao longo do ano, tão importante na minha vida.
Sou muito feliz por ser teu neto. Que venham mais histórias.
Bjs
Querido neto,
Chegou 2026. Ainda há poucas horas, é certo, mas já entrámos num novo ano.
E pronto, “Ano Novo, Vida Nova” – como se costuma dizer.
É claro que, na maior parte dos casos, a vida continua a ser a mesma, e não seria de um dia para o outro que ela ia mudar.
Mas pronto, adiante.
Há, no entanto, uma coisa que só costuma acontecer neste dia: o primeiro banho de mar do ano.
É a tradição.
Um grupo de amigos junta-se, vestem todos fatos de banho e entram pelo mar dentro.
Estava eu aqui na esplanada da praia da Ericeira (onde estou sempre) com uma data de amigos. E lá apareceu um grupo, vindo não sei donde, para o tal primeiro banho.
Lá foram.
Felicíssimos, entraram, furaram uma onda e saíram, a tremer de frio, tentando logo abafar-se.
Subiram até à esplanada, pedindo bebidas muito quentes – que o Sr. Rui imediatamente lhes serviu, olhando para mim e sorrindo.
Foram-se embora – e todos nós desatámos a rir.
«Bem se vê que não são jagozes!», disse um dos meus amigos.
(Para quem não sabe: jagozes são os naturais da Ericeira)
Tudo porque, durante todo o ano, a praia está sempre cheia de gente a tomar banho e a apanhar sol, por isso não faz nenhum sentido festejar, com pompa e circunstância, o primeiro banho do ano! Era como se festejássemos o primeiro almoço do ano, por exemplo.
Mas pronto, o pessoal voltou para as suas terras e para as suas casas muito contente, e isso é que é importante!
E muito Bom Ano para todos!
Para ti, querido neto, neste novo ano, o meu maior desejo é ver-te feliz, com saúde e a realizar todos os teus sonhos. Estarei sempre aqui para te aplaudir. Que o teu 2026 seja tão brilhante e especial como o teu sorriso. A avó ama-te muito!
Vamos lá voltar ao trabalho, que já chega de festarolas. Embora amanhã seja fim de semana e na próxima semana temos o Dia de Reis, que também merece ser comemorado.
Bjs
[artigo publicado originalmente na edição impressa da revista Versa do Nascer do SOL a 2 de dezembro]