1. Direita civilizada. Uma mítica direita onde se autoinclui, com óbvia presunção, um lote variado de figuras avulso que por aí enxameiam. Aprenderam a comer de garfo e faca aos 20 anos e a não pôr os cotovelos na mesa aos 25. Pegam no copo do gin tónico (atulhado de lixo colorido) com o dedo mindinho espetado. Como marca de água dessa casta, um vocabulário possidónio e alambicado que acham ser o máximo da boa educação e um sagrado horror à fala clara e direta e às verdades que doem ditas com a franqueza que apenas tem o povo e aqueles que trazem do berço tudo o que os da suposta ‘direita civilizada’ aprenderam, mal, a partir dos 20 anos. Há exceções a este retrato robot nessa ‘direita civilizada’? Há: São os que controlam os outros.
2. Normalizar o Chega. Outra coisa bizarra na voz de supostos democratas. Um partido e um líder que reúnem 1,7 milhões de votos estão normalizados pela vox populi. Não é a umas centenas de controladores de partidos em fase terminal de entropia que cabe normalizar ou não o que quer que seja. Cabe-lhes aceitar. Ponto.
3. O Chega não tem quadros para governar. Isto dizem-nos os pequenos oligarcas do PS e do PSD. Ora bem, se estamos a falar do tipo de quadros dos partidos que têm constituído os governos dos últimos 50 anos, ainda bem. Governos que derreteram centenas de toneladas de reservas de ouro, biliões sem fim que nos vieram da ‘Europa’, nos asfixiaram em impostos, cavaram uma dívida de 100% do PIB e nos legaram um sistema de ensino em decomposição, um sistema de saúde em ruínas, uma Segurança Social a caminho da falência, ruas sem segurança e um país sem lei. Não termos os quadros que esses partidos ostentam e se sucederam naqueles governos são uma garantia para os portugueses de que, com o Chega, as coisas talvez passem a funcionar.
4. O Direito Internacional. Há uns anos, as eleições na Venezuela foram claramente falsificadas. A generalidade dos países civilizados não reconheceu o novo governo. Todos fizeram declarações grandiloquentes. Bateram no peito. Lamentaram. Muito. E por aí se ficaram. Prisões arbitrárias, tortura, fome, emigração, por tudo passaram os venezuelanos. Um cenário diferente, mas de igual terror, no Irão. Muitas condenações. E mais nada. Trump passou das palavras aos atos e fez mais do que falar, falar, falar? Ai o Direito Internacional. Mas o DI é um direito que se aplica a países soberanos. E uma vez que, para um democrata, a soberania reside no povo, Estados onde não há eleições ou elas são falsificadas não são países soberanos.
5. Projeto europeu. Quando ouvir falar nisto, ou no ‘sonho europeu’ saiba que lhe estão a vender uma Europa Federal. Ou seja, um império tecno-burocrata controlado por oligarcas que ninguém elegeu nem nunca elegerá. Estão a vender-lhe umas algemas de falso ouro em troca da sua soberania, das suas raízes e da sua liberdade. Estão a vender-lhe uma URSS 2.0, com um hardware mais cool e um software muito mais sofisticadamente intrusivo. Mas sobre este ponto falaremos mais vezes dada a gravidade do que se está a passar neste campo.
Meia dúzia de termos e expressões retiradas à sorte de um saco onde se somam inúmeros lugares-comuns, nenhum deles inocente. Dava para um livro de centenas de páginas. Talvez alguém o venha a escrever. Seria uma utilíssima tarefa.
Vice-presidente da Assembleia da República