quarta-feira, 13 mai. 2026

O povo vota errado?

Em toda a Europa - e para além dela - os partidos do centrão esgotam as suas últimas e já reduzidas energias a tentar tapar o caminho aos partidos de direita a que chamam populista ou radical.

Comentadores, cronistas, curiosos de todos os quadrantes, nas televisões, nos jornais, nos dinner en ville, olham fixamente para os dois partidos do centrão e gritam, cada vez mais vezes e cada vez mais alto, ‘levanta-te e anda’. Benny Hill não faria melhor. Mas eles não são Jesus Cristo e Lázaro continua morto e bem morto. Apenas se recusa a ser enterrado. ‘Levanta-te e anda’ e acrescentam, ‘porque senão vem aí o demagogo, o populista do Ventura para fazer o que tu não fazes’. Mas, de Lázaro, nem uma pálpebra se move. A metáfora vale o que vale, mas a realidade é esta: os partidos do centrão cumpriram o seu tempo de vida. Estão esgotados, com soluções que funcionavam no mundo de há 40 anos e incapazes de se reinventarem para encontrarem as soluções adequadas ao novíssimo mundo de hoje. Condenados pela entropia que cresce por dentro de todos os organismos vivos e todas as organizações humanas quando chega o momento em que já se não autorregeneram porque o seu tempo acabou. Como os relógios de corda quando esta chega ao fim. Parecem vivos ainda, mas já estão mortos por dentro. Fechados sobre si próprios, deixaram de saber ler a realidade e, por isso, de ser capazes de lhe dar resposta. Como Lázaro no seu túmulo, são um peso morto.

Em toda a Europa - e para além dela - os partidos do centrão esgotam as suas últimas e já reduzidas energias a tentar tapar o caminho aos partidos de direita a que chamam populista ou radical. Umas vezes, paralisando os seus países com a formação de coligações contranatura que, não deixando o partido vencedor de direita governar, também não conseguem fazê-lo, como está a acontecer em França e em outros sítios. Outras vezes, com o sistema judicial por eles controlado, impedindo candidatos fortes de direita de concorrer a eleições, caso de Le Pen ou pura e simplesmente anulando eleições quando o vencedor é de direita, caso da Roménia. Sempre com o apoio ativo de Bruxelas onde o centrão ainda controla a Comissão e demais instituições.

Bruxelas não passa de uma placa giratória multifunções de apoio ao centrão nos Estados membros. Sempre através de largas centenas de ONGs pela Comissão controladas e financiadas. Depois estas vão agindo ora através do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, ora através de inúmeros órgãos de comunicação por elas indiretamente financiadas, ora por intermédio de projetos pagos em múltiplas universidades e por aí fora. Um polvo tentacular que vai sustentando, com inumeráveis balões de oxigénio, os moribundos partidos centristas.

Perdi (ganhando) horas e horas a estudar a sofisticada metodologia, desenvolvida na sombra, quer da intervenção de Bruxelas na política interna dos Estados-Membros, quer no apoio aos partidos que lhe interessa proteger. Um estudo que contou com o apoio inestimável do ChatGPT que, para isto, é de uma eficiência a toda a prova. Conto um dia publicar este estudo. É uma história exemplar de como se constrói um império burocrático através de diretivas sim, mas, principalmente, através de uma miríade de ONGs a atuarem em pontos chave ora financiando, ora fazendo pressão cultural e política.

Os partidos de direita nacional conservadora contam, cada vez mais, com o apoio dos eleitores. Mas encontram, pela frente, adversários que, entendendo que o povo vota errado, pretendem corrigir esse ‘voto errado’ através de mil artifícios que, esses sim, verdadeiramente subvertem o Estado de Direito.

Vice-presidente da Assembleia da República