Lisboa. «Portugal não seguirá os EUA e não classificará PCC e Comando Vermelho como terroristas» declarou o Sr. ministro da Administração Interna. Faz sentido. Pelo menos para quem afirmou, há poucos dias, que populismo e fake news são «grande ameaça à nossa forma de vida». Para além, claro, dos «movimentos de extrema-direita» que o Senhor ministro, como diretor da PJ, afincadamente acossou. Comparado com esses extremados perigos dos populismos, extrema-direita e fake news (obviamente vindas de populistas e extrema-direita) qual o problema dessa gente simpática e ordeira que milita no PCC e do Comando Vermelho? Veremos se o SIRESP funciona, se o general Viegas Nunes prova valer o que dizem que ele vale. Luís Neves apostou tudo numa só cartada. Veremos se sobrevive à prova de fogo - e dos fogos - deste verão.
Madrid. A caverna de Ali Babá e dos 40 ladrões revisitada. De cada um dos 40 ladrões já toda a gente sabe o nome. Só falta saber quem é Ali Babá.
Bruxelas. O Parlamento Europeu terá trocado o motor de busca Google pelo francês Qwant. O tal Qwant passa a ser a ferramenta predefinida nos computadores de Bruxelas e Estrasburgo. Para «reforçar a soberania» dizem eles. Reforçar a soberania? Mas que soberania? Desde logo a UE não é soberana, soberanas são as nações que a integram. Depois, mesmo atendendo a uma versão muito lata e difusa do que seja a soberania, esta não se defende com opções ridículas. Sendo que há sempre a temer, verdade seja, que os algoritmos do Qwant estejam preparados para que no motor de busca apenas surjam, ou surjam à cabeça, as respostas que se coadunam com os famosos ‘valores’ de Bruxelas. E que, a ser assim, isto depois se estenda, obrigatoriamente, por todos os países-membros. De Bruxelas, muito do que lá sai parece grotesco ou ridículo aos mais desatentos. Mas, de facto, o grotesco e o ridículo não passam de meras máscaras para disfarçar medidas que irão limitar a nossa liberdade de pensamento, de opinião e de ação.
Por aqui e por ali, Europa fora. Starmer, Macron e Merz rodopiam de cimeira em cimeira para, entre si, supostamente para decidirem dos destinos do mundo. Só que o mundo não quer saber deles, os destinos do mundo também não e os respetivos eleitores menos ainda. Estes, os eleitores, têm o péssimo e provinciano gosto de os medir, apenas, pelos resultados catastróficos da sua governação nos respetivos países e dão-lhes uma taxa de aprovação que se vai aproximando do zero. Alheios a isso e à realidade, os três que se imaginam ‘grandes’ continuam a jogar monopólio com notas de 10.000 € de papel, prédios de plástico e um tabuleiro de cartão. Risível? Sem dúvida. Mas simultaneamente trágico. Eles, e os seus antecessores, são culpados da possível ruína, em duas gerações, de um património que levou 50 gerações a construir.
Washington DC. Uma nota de esperança veio da outra margem do Atlântico, do ‘outro Ocidente’. A propósito do assassinato do jovem inglês de 18 anos, diz JD Vance que «Henry Nowak morreu da mesma forma que morre uma civilização: abandonado, algemado e acusado de crimes de ódio que não cometeu». Mas é isto uma nota de esperança? É. Porque é sinal de que alguém, poderoso, tem a lucidez de entender o que se está a passar, a coragem de o dizer sem inúteis floreados e o poder suficiente para agir na margem de lá da nossa civilização ocidental. Sim, como já aqui o disse várias vezes, há dois ocidentes. Enquanto um deles estiver de boa saúde, a vida continua.
Vice-presidente da Assembleia da República