sexta-feira, 12 jun. 2026

A velha e verdadeira Europa

O que hoje nos tentam vender como Europa, não passa de uma massa indefinida e amorfa de 27 estados amalgamados e sob férrea tutela de um número indefinido de oligarcas.

Alguns conceitos que importa identificar com precisão para que possamos construir juízos sobre realidades e não sobre propaganda elaborada pelo pensamento único que vai, lentamente, asfixiando o verdadeiro e imprescindível debate de ideias.

Hoje, falaremos da Europa. A velha e verdadeira Europa, a Europa de sempre é, geograficamente, um subcontinente, uma península situada no extremo ocidental da Eurásia tendo, como fronteira com a Ásia, uma sequência definida pelos Montes Urais, rio Ural, mar Cáspio, Cáucaso, mar Negro e os estreitos do Bósforo e Dardanelos. Contudo, a Europa é histórica e pacificamente aceite como sendo, em si mesma, todo um continente definido não pelo seu perfil geográfico mas, sim, por um perfil cultural desenhado pela partilha de uma mesma identidade histórica, cultural e política, identidade essa construída em torno da tradição greco-romana, da Cristandade e de uma história política em torno da lenta formação das nações europeias ao longo de um milénio e meio. A Europa de sempre é um organismo vivo em torno de nações que interpretam, cada uma à sua maneira, uma cultura milenar que se encontra nas raízes e no tronco a todas essas nações comuns. É nessa unidade na diversidade que sempre residiu o segredo da prodigiosa civilização europeia. A inesgotável riqueza desta civilização nasceu, precisamente, dessa harmonia de contrários partilhando um tronco comum e alimentado por raízes fortes mergulhando fundo num longínquo passado.

Esta é a Europa. Mas o que hoje nos tentam vender como Europa, não passa de uma massa indefinida e amorfa de 27 estados amalgamados e sob férrea tutela de um número indefinido de oligarcas. Um cadinho alimentado a energias renováveis – claro –no qual se pretende transformar homens e mulheres diversos, reunidos em famílias diversas e habitando nações elas também diversas em robôs rigorosamente iguais e intermutáveis. Até que se obtenha uma massa amorfa de cidadãos descaracterizados, lobotomizados e explorados por uma casta reinando sobre um império burocrático para quem a diferença não passa de uma má-formação a ser urgentemente corrigida.

Assim, quando lhe falarem no ‘sonho europeu’ ou ‘projeto europeu’ entenda que lhe estão a vender uma distopia que fica a meio caminho entre o Admirável Mundo Novo, o 1984 e o Triunfo dos Porcos. Por favor, não a compre. Enquanto é (relativamente) livre para a não comprar.

O mesmo quanto aos cada vez mais citados ‘valores europeus’. Estão a tentar trocar diamantes verdadeiros por missangas vistosas mas sem qualquer valor. Os verdadeiros valores europeus centram-se sobre três conceitos básicos: A aretê grega, a virtus romana e a virtude cristã. A Europa foi construída sobre um mix, variável ao longo dos últimos 16 séculos, dos valores contidos nesses três conceitos básicos. Sobre quais esses valores falaremos na próxima semana, pois que este é um assunto demasiado importante para tentar condensá-lo no pouco espaço que aqui me resta. Aqueles a que podemos chamar os velhos valores europeus, por contraponto aos ‘novos valores europeus’ expressão que encerra, em si mesma, uma contradição porque esses ‘novos valores europeus’ não são novos, nem são valores, nem são europeus. Foi precisamente esta antinomia entre os velhos e os novos valores europeus que JD Vance e Marco Rubio vieram, com a diferença de um ano, denunciar em Munique. Cheios de razão. Como veremos na próxima semana.

Vice-presidente da Assembleia da República