quarta-feira, 22 jul. 2026

A sobrevivência da Europa depende dos ‘populistas’

Razão pela qual a Europa hoje já se não senta à mesa dos grandes. E, como dizia um político particularmente realista: «Na mesa dos grandes, quem lá não está sentado, faz parte do menu».

Inglaterra. Henry Nowak, 18 anos, é assassinado por um indiano: Várias facadas e uma, mortal, no coração. À polícia, o indiano acusa o jovem inglês – o tribunal sentenciaria que não – de tratamento racista. A polícia, em vez de chamar de imediato uma ambulância, algema o jovem ‘racista’ moribundo. Que morre algemado. Aos pés dos polícias.

França. Matthéo, 9 anos, no fim de um jogo de futebol, é agredido por cinco outros miúdos, lançado ao chão e pontapeado na cabeça. Sobreviveu. Por milagre.

França ainda. Final da liga dos campeões ganha pelo PSG. Milhares de exemplares de um saudável multiculturalismo, na sua maioria de etnia árabe e africana e, os restantes, militantes do LFI, extrema-esquerda, espatifaram e incendiaram tudo o que lhes aparecia pela frente acabando numa batalha campal com a polícia.

França, mais uma vez. Quentin Deranque, 23 anos militante católico de Direita, é cercado por militantes da Jeune Garde, tropa de choque da LFI. Atirado ao chão, é assassinado a pontapés na cabeça. Como sempre, os argumentos decisivos da extrema-esquerda não estão na cabeça. Estão nos pés.

Há episódios que servem de revelador insuportável da falência de uma civilização.

O que nos dizem estes casos, alguns de entre muitos de cariz semelhante? Dizem-nos muito sobre o asselvajamento das nações europeias. E dizem-nos tudo sobre a qualidade das lideranças que, nas últimas dezenas de anos, foram as dessas nações. Mitterrand, Chirac, Sarkozy, Hollande e, agora, Macron, em França. Os sucessivos governos conservadores e, agora, Starmer, no Reino Unido. Todos eles ligados por um fio comum: a cobardia moral, intelectual e política com que governaram e governam, à cabeça de partidos minados pela intriga e pela corrupção, contra os interesses dos seus povos e as grandes linhas da história desses povos.

Henry, Matthéo, Quentin e tantos, tantos outros, são apenas a parte visível do icebergue de incúria, de cobardia e de incompetência desses líderes e desses partidos. Que governaram e governam, sem referências morais, intelectuais ou de mero e simples bom senso.

Starmer, Macron, Merz, Sánchez, com apoio perto do zero por parte dos seus povos, apenas se aguentam no poder pelo apoio que recebem de meios de comunicação indiretamente pagos pelos seus governos.

E isto poderá ser dito de todas as restantes nações europeias. Razão pela qual a Europa hoje já se não senta à mesa dos grandes. E, como dizia um político particularmente realista: «Na mesa dos grandes, quem lá não está sentado, faz parte do menu».

Como sair daqui? Seguramente que não será pela mãos dos partidos centrais, aqueles que, desde a queda da União Soviética, nos trouxeram até aqui. E não serão eles porque vivem fora do tempo e das realidades limitando-se a tentar ganhar na secretaria o poder que perdem nas urnas. Podem milhares de supostos opinion makers apelar lancinantemente – como todos os dias o fazem – à sua reforma. São irreformáveis, a sua arquitetura interior foi desenhada para um mundo que já não existe. Hoje já apenas são restos arqueológicos para serem visitados em domingos de sol. Foi, ou é, tudo mau nesses partidos? Não. Houve e há, no seu interior, quem tentasse e tente ainda, mudar o rumo. Mas não conseguirão, a estrutura desses partidos irá resistir. Pelo que ‘sair daqui’ apenas poderá acontecer pela mão dos hoje chamados partidos ‘populistas’ ou de ‘extrema-direita’. Partidos, de facto, de direita popular mas com uma arquitetura preparada para enfrentar os novos e duros tempos que aí estão. Disto dependerá a sobrevivência da Europa.

Vice-presidente da Assembleia da República